Síndrome Metabólica

O que é a Síndrome Metabólica?

O termo “Síndrome Metabólica” descreve a associação de diversos problemas que aumentam a chance de uma pessoa desenvolver doenças cardíacas, derrame cerebral e diabetes. A causa exata da síndrome metabólica ainda não é conhecida, mas a carga genética (características herdadas da família), junto com o excesso de gordura no corpo e a falta de atividade física auxiliam no desenvolvimento dessa condição.
O diagnóstico de síndrome metabólica é feito quando a pessoa apresenta 3 ou mais dos problemas abaixo:

a) Gordura abdominal aumentada – cintura maior que 102 cm em homens ou maior que 88 cm em mulheres.
b) Baixo colesterol HDL (“bom colesterol”) – nível menor que 40 em homens ou menor que 50 em mulheres.
c) Triglicerídeos aumentados – nível de 150 ou mais.
d) Hipertensão – pressão arterial maior que 135×85, ou uso de medicações para controlar a pressão.
e) Aumento da glicemia (açúcar no sangue): nível de 110 ou mais em jejum.

Possuir 3 ou mais desses fatores de risco é um sinal de que o corpo é resistente à ação da insulina, um importante hormônio produzido pelo pâncreas. A insulina tem várias ações importantes, sendo uma delas o controle dos níveis de glicose no sangue. Quando a insulina é produzida mas não consegue exercer seus efeitos adequadamente, surge a resistência à insulina – ou seja, mais insulina que o normal é necessária para manter o corpo funcionando e para controlar a glicemia.

Que pessoas estão em risco de apresentar a síndrome metabólica?

Uma em cada 5 pessoas, nos países desenvolvidos, é portadora da síndrome metabólica. A síndrome geralmente segue um padrão familiar. Isso quer dizer que, se alguma pessoa tem a síndrome, várias outras pessoas na sua família geralmente também são portadoras. É mais comum em negros, indígenas e orientais. Quanto mais velha a pessoa, também maior é sua chance de desenvolver a síndrome metabólica.
Algumas pessoas têm um risco particularmente aumentado de apresentar a síndrome metabólica. As características que aumentam o risco da síndrome são:
a) ganho de peso, especialmente no abdômen;
b) história de diabetes;
c) pressão alta;
d) altos níveis de colesterol (gorduras) no sangue;
e) sedentarismo (pouca atividade física).

A maioria das pessoas que têm a síndrome metabólica sente-se perfeitamente saudáveis, e pode não apresentar quaisquer sintomas. No entanto, essas pessoas têm uma chance muito aumentada de desenvolver doenças sérias no futuro, tais como infarto do miocárdio, diabetes e derrame cerebral, e por isso devem ser tratadas.

Como a síndrome metabólica deve ser tratada?

Aumentar a atividade física diária e perder peso são as melhores maneiras de combater essa condição. Medicações também devem ser utilizadas para controlar os fatores de risco presentes, como hipertensão arterial (pressão alta) ou diabetes. (Leia mais sobre diabetes clicando aqui)
Pessoas com risco de apresentar a síndrome metabólica devem procurar um médico, de preferência um especialista. O endocrinologista, especialista em hormônios e metabolismo, pode avaliar se a pessoa apresenta ou não a síndrome metabólica, e também recomendar o melhor tratamento.

Como prevenir a síndrome metabólica?

Um estilo de vida saudável, incluindo uma atividade física regular e uma alimentação equilibrada, bem como manter o peso corporal dentro do normal, são as melhores maneiras de prevenir e também de tratar essa condição. (Leia mais sobre obesidade e perda de peso clicando aqui)
Ser portador da síndrome metabólica significa possuir um risco alto de diabetes, doenças cardíacas e derrame cerebral, e deve servir como um estímulo para as pessoas adotarem hábitos de vida mais saudáveis antes que as complicações apareçam.

Sintomas

Quais são os sintomas do diabetes?

Se a doença estiver no início, o paciente pode não perceber quaisquer sintomas que chamem a sua atenção. De fato, por ser uma doença relativamente assintomática no seu início, estima-se que cerca de 50% dos diabéticos não saibam do diagnóstico. Ou seja: metade dos diabéticos não sabe que tem diabetes!
Por isso é importante a avaliação médica e a dosagem da glicemia no sangue em pessoas com alto risco para desenvolver diabetes ou que apresentem quaisquer sintomas compatíveis com diabetes.
Em pessoas com doença mais avançada ou com glicemia mais alta, alguns sintomas muito sugestivos de diabetes são:

– vontade de urinar a toda hora, com grande quantidade de urina;
– formigas subindo no vaso sanitário, devido à presença de açúcar na urina;
– sede em excesso;
– fome exagerada;
– perda de peso sem motivo aparente, apesar de estar comendo até mais que o normal;
– “borramento” da visão;
– fraqueza intensa, mal-estar, desânimo;
– “formigamentos” nas mãos e nos pés;
– feridas que demoram a cicatrizar ou não cicatrizam.

Que pessoas apresentam risco alto de apresentar diabetes?

Algumas pessoas possuem características que aumentam muito a sua chance de apresentar diabetes. As principais dessas características são as seguintes:

– excesso de peso ou obesidade;
– história familiar de diabetes (ou seja, parentes de primeiro grau – pais, irmãos ou filhos – que também possuem a doença);
– história de ter tido diabetes durante a gravidez (diabetes gestacional);
– história de macrossomia fetal (ou seja, ter dado à luz filhos pesando mais de 4 Kg), ou abortos de repetição;
– história de glicemias alteradas no passado;
– sedentarismo;
– idade acima dos 45 anos;
– pressão alta;
– triglicérides altos ou HDL-colesterol (“bom colesterol”) baixo;
– doença coronariana (infarto do miocárdio, angina);
– uso de medicações que podem aumentar a glicemia.

O que fazer na presença de sintomas sugestivos ou fatores de risco para diabetes?

Essas pessoas devem ser avaliadas por um médico e testadas para a presença de diabetes, através da dosagem da glicose no sangue (glicemia).
Existem 3 formas de avaliar a glicemia de um paciente:
a) Dosagem de glicemia de jejum – é a forma mais simples, prática e barata de diagnosticar o diabetes. Deve ser colhida amostra de sangue pela manhã, após um jejum de 8 a 12 horas.
b) Dosagem de glicemia casual – é a determinação da glicemia em amostra de sangue colhida em qualquer horário do dia, independente da pessoa estar em jejum ou não. Útil em casos de pessoas com sintomas muito evidentes e sugestivos de diabetes.
c) Teste de Sobrecarga de Glicose – indicado em pacientes com glicemia de jejum pouco alterada, ainda não atingindo o nível para diagnóstico de diabetes, ou em pacientes de risco muito elevado para diabetes com glicemia de jejum normal. Colhe-se uma amostra de sangue (geralmente em jejum), então o paciente ingere 75g de glicose dissolvida em água e colhe uma nova glicemia após 2 horas.

Quais os valores normais de glicose no sangue?

Atualmente, consideram-se normais os valores de glicemia:

a) menores que 100 mg/dL em jejum;
b) menores que 140 mg/dL após teste de sobrecarga com glicose.
Cuidado! Muitos laboratórios clínicos no Brasil ainda colocam o limite de 110mg/dL como “Valor normal”, ou “Valor de Referência” para a glicemia de jejum. De fato, a glicemia de jejum foi considerada normal até 110mg/dL por muitos anos, mas isso mudou em 2004, quando a Associação Americana de Diabetes, baseada nos resultados de vários pesquisas novas, estabeleceu que o valor da glicemia de jejum não deve passar de 100mg/dL para ser considerada normal. Por isso, hoje em dia se considera normal apenas a glicemia de jejum menor que 100mg/dL.

Quais os valores de glicemia necessários para fazer o diagnóstico de diabetes?

O diabetes mellitus é diagnosticado quando se encontra:

a) glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dL, em pelo menos 2 medidas em dias diferentes;
b) glicemia casual maior que 200 mg/dL, na presença de sintomas sugestivos de diabetes;
c) glicemia após teste de sobrecarga com glicose 75g maior que 200 mg/dL.


Valores intermediários entre o normal e o diabetes fazem o diagnóstico de pré-diabetes, que inclui a tolerância diminuída à glicose (glicemia pós-sobrecarga entre 140 e 200 mg/dL) e a glicemia de jejum alterada (glicemias de jejum repetidamente maiores que 100 e menores que 126 mg/dL).
Outros testes, como a glicemia capilar (medida em sangue da ponta do dedo, através de aparelhos chamados glicosímetros) e a detecção de glicose na urina (chamada glicosúria) em geral não servem para diagnóstico de diabetes, e devem ser preferencialmente confirmados pela dosagem de glicemia no sangue (glicemia).

Se algumas pessoas têm diabetes mas não sentem nada, então porque precisam de tratamento?

Todos os tipos de diabetes podem produzir complicações sérias com o passar do tempo, incluindo: cegueira, doenças do coração (infarto), obstrução (entupimento) dos vasos sangüíneos (principalmente nas pernas e pés) e perda de função dos rins. Algumas vezes, o comprometimento da circulação sangüínea chega a ser tão grave que exige a amputação de membros. Além disso, o paciente com diabetes do tipo 1 pode passar por situações graves, em que níveis muito altos ou muito baixos de glicemia podem ameaçar a sua vida.
Por isso, todos os indivíduos portadores de diabetes devem fazer um cuidadoso acompanhamento médico e participar ativamente do seu tratamento, com o objetivo de manter sua glicemia a mais próxima do normal possível, pois assim se evitam muitas das complicações da doença. Existem endocrinologistas especializados no tratamento de diabetes, que podem avaliar e tratar pessoas diabéticas da melhor forma possível. Em muitos casos, o paciente diabético também vai precisar da ajuda de outros profissionais, como, por exemplo: médicos oftalmologistas (que vão avaliar o acometimento dos olhos pelo diabetes), nutricionistas (que vão orientar a maneira correta do diabético alimentar-se), psicólogos e enfermeiras.

Síndrome dos Ovários Policísticos

O que é a síndrome dos ovários micropolicísticos?

O termo “síndrome dos ovários micropolicísticos” (também conhecida pela abreviatura, “SOMP”) descreve um grupo de sintomas e de alterações nos níveis de hormônios de algumas mulheres. O nome origina-se do fato de que pacientes com esse transtorno freqüentemente (mas nem sempre) apresentam múltiplos pequenos cistos (nódulos) indolores nos seus ovários, o que pode ser visualizado por exames de ultrassom. Esses cistos são benignos. No entanto, as alterações hormonais provocadas pela síndrome podem causar sintomas importantes, com grande stress emocional para a mulher afetada.

Os achados mais importantes na SOMP são os seguintes:
a) alterações menstruais (menstruações “desreguladas”);
b) excesso de hormônios masculinos (acne, pele oleosa, excesso de pêlos);
c) infertilidade (dificuldade em engravidar).

A SOMP é comum? 

A SOMP é uma alteração muito comum de mulheres em idade reprodutiva, podendo atingir de 4 a 11% dessa população (em média, 7% das mulheres entre os 20 e os 50 anos de idade). De fato, muitos autores afirmam que a SOMP é a doença endócrina mais comum em mulheres na idade fértil.

Quais são os sintomas da SOMP?

Os sintomas da síndrome incluem:

1) irregularidade menstrual (menstruações ausentes ou que atrasam com muita freqüência, geralmente desde a adolescência);
2) infertilidade (dificuldade para engravidar, devido à falta de ovulação – que constitui uma das queixas mais importantes dessas pacientes quando procuram o médico);
3) acne (cravos e espinhas na pele), especialmente ao redor do queixo, no tórax e no dorso;
4) excesso de pêlos no rosto (principalmente no queixo e no buço) e no restante do corpo (braços, pernas, virilha);
5) perda de cabelo, com áreas de rarefação na cabeça;
6) pele e cabelos muito oleosos.

Os últimos 4 sintomas são manifestações de excesso de hormônios masculinos, que é um dos problemas provocados pela síndrome. Algumas pacientes podem apresentar apenas um desses sintomas; outras podem apresentar um quadro mais exuberante. Nem todos esses sintomas precisam estar presentes, ao mesmo tempo, para fazer o diagnóstico de SOMP.
Cerca de 2/3 das pacientes com SOMP apresentam excesso de peso ou obesidade (principalmente quando o acúmulo de gordura acontece mais na região da barriga), mas a síndrome também pode afetar mulheres magras.
A SOMP é extremamente comum, mas muitas mulheres não sabem que são portadoras da síndrome, e podem sofrer durante anos com problemas como a dificuldade para engravidar ou o excesso de pêlos no rosto, antes de ser feito o diagnóstico correto.

Qual é a causa da SOMP?

A causa exata da SOMP ainda não é bem conhecida. Suspeita-se que haja mais de uma causa. Em geral, a síndrome é causada por um desequilíbrio dos níveis de alguns hormônios importantes. O que se observa na maioria das mulheres de SOMP é um aumento dos níveis dos hormônios masculinos (andrógenos) no sangue, devido à produção aumentada desses hormônios pelos ovários. Por isso, a SOMP também é conhecida como “síndrome de excesso de andrógenos ovarianos”. O principal andrógeno ovariano que aumenta na síndrome é a testosterona.

Então a SOMP é uma doença apenas dos ovários?

Não. A SOMP é uma doença complexa, relacionada ao funcionamento alterado de vários sistemas do organismo. Além do distúrbio dos ovários, as mulheres com SOMP comumente apresentam um defeito na ação da insulina, um importante hormônio que controla os níveis de açúcar (glicose) e gorduras (colesterol) no sangue. Portanto, mulheres com SOMP têm um risco aumentado de apresentar aumento da glicose (diabetes mellitus) e do colesterol (dislipidemias), o que em última análise pode aumentar seu risco de doenças cardiovasculares (infarto do miocárdio, derrame cerebral etc.). Suspeita-se que esse defeito da ação da insulina (também conhecido como resistência à insulina) desempenhe um papel fundamental no desenvolvimento da SOMP. (Leia mais sobre diabetes clicando aqui.)

Que outras doenças se associam à SOMP?

a) Diabetes mellitus – devido ao defeito na ação da insulina (“resistência à insulina”) apresentado por muitas mulheres com SOMP, estas pacientes apresentam um risco bem maior de desenvolver diabetes, em comparação com mulheres sem SOMP. Calcula-se que aproximadamente 50% das mulheres com SOMP vão apresentar níveis aumentados de glicose (açúcar) no sangue antes dos 40 anos de idade. Por outro lado, 25 a 50% das mulheres com diabetes entre os 20 e os 50 anos de idade também são portadoras de SOMP. O risco de diabetes é ainda maior para pacientes com SOMP obesas. (Leia mais sobre diabetes clicando aqui.) 
b) Doenças do fígado – estudos recentes indicam que 2/3 das pacientes com SOMP apresentam um acúmulo anormal de gordura no fígado, que é chamado de “esteato-hepatite não alcoólica”. Entretanto, quando essas mulheres fazem exames de sangue para avaliar o fígado, a maioria tem resultados normais. O excesso de gordura no fígado, na maior parte das vezes, só é encontrado quando se faz um exame de ultrassom. Essa alteração do fígado é importante porque muitas vezes a esteato-hepatite acaba evoluindo para doenças mais graves, como hepatite, cirrose hepática e até mesmo câncer do fígado
c) Doenças cardíacas – Alguns estudos indicam que o risco de doenças do coração (infarto) é 50% maior em mulheres com SOMP. Além disso, mulheres com SOMP têm problemas do coração mais cedo do que outras mulheres que não são portadoras de SOMP. Essas pacientes também têm um risco mais alto de derrame cerebral.
d) Pressão alta – Também conhecida como “hipertensão arterial”, é mais comum em mulheres com SOMP, principalmente após os 40 anos de idade.
e) Problemas do colesterol – Mulheres com SOMP costumam apresentar níveis mais altos de LDL-colesterol (o colesterol “ruim”) e mais baixos de HDL-colesterol (o colesterol “bom”) do que mulheres sem SOMP, bem como níveis mais altos de triglicerídeos. ( Leia mais sobre problemas do colesterol clicando aqui )
f) Câncer – Mulheres com SOMP têm um risco maior de desenvolver câncer do útero (endométrio) e da mama.

Como é feito o diagnóstico de SOMP?

O diagnóstico de SOMP é feito através da história clínica e exame físico da paciente (menstruações irregulares, excesso de pêlos, acne etc.) e de alguns exames complementares.
Os exames que podem ajudar no diagnóstico são:

1) Ultrassom do útero e ovários, que pode mostrar a presença de múltiplos pequenos cistos (nodulações cheias de líquido) em ambos os ovários. Apesar de serem comuns e de darem nome à síndrome, os cistos não estão presentes em todas as pacientes com SOMP, sendo encontrados em cerca de 80% dos casos. Da mesma forma, a simples presença de cistos não é suficiente para fazer o diagnóstico de SOMP, pois até 20% das mulheres normais, sem qualquer alteração dos níveis hormonais, podem apresentar imagens de cistos ao ultrassom. Por isso, é importante diferenciar: “ovários policísticos” (um mero achado de ultrassom) da “síndrome de ovários micropolicísticos” (um distúrbio complexo, com manifestações clínicas conhecidas e que pode apresentar ou não a imagem de ovários policísticos ao ultrassom).

2) Testosterona (hormônio masculino), que muitas vezes está aumentada no sangue;

3) Glicose e colesterol.

Outros exames também podem ser solicitados, dependendo das características de cada paciente. É importante afastar a presença de outros problemas hormonais que podem apresentar sintomas semelhantes à SOMP, principalmente o hipotireoidismo e a hiperplasia adrenal congênita (uma doença das glândulas supra-renais que também cursa com níveis aumentados de hormônios masculinos).
Todas as mulheres com sintomas sugestivos de SOMP devem ser avaliadas por um médico especialista, para determinar a presença ou não da sindrome. O endocrinologista, um médico especializado em transtornos das glândulas e dos hormônios, pode fazer essa avaliação e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.
Embora alguns pacientes e até mesmo alguns médicos considerem a SOMP uma doença puramente ginecológica (uma vez que a maioria dos seus sintomas está relacionada ao sistema reprodutivo feminino), essa síndrome deve ser considerada uma alteração sistêmica (de todo o organismo), pois pode se associar a vários outros problemas, tais como: diabetes, alterações do colesterol e doenças cardíacas. Entretanto, o acompanhamento com um ginecologista também é importante, pois permite a detecção e tratamento precoce de possíves complicações como o câncer de mama e de útero.

Qual é a importância da SOMP?

A SOMP é a causa mais comum de infertilidade (dificuldade para engravidar) nas mulheres que vivem em países desenvolvidos. Também pode causar prejuízo à qualidade de vida das pacientes, que se sentem incomodadas pelo excesso de pêlos ou pela acne, por exemplo.
No entanto, os maiores riscos da SOMP estão associados às alterações decorrentes da resistência à insulina. Esse transtorno faz com que as pacientes com SOMP tenham um risco aumentado de desenvolver diabetes.
Estudos mostram que 
até 30% das pacientes com SOMP podem apresentar níveis aumentados de glicose (açúcar) no sangue quando o diagnóstico da síndrome é feito pelo médico. Esses níveis aumentados de glicose às vezes só são detectados através de um teste com ingestão de açúcar via oral (o chamado teste de tolerância à glicose, ou curva glicêmica).
Além disso, mulheres com SOMP freqüentemente apresentam níveis aumentados do chamado “mau colesterol” (LDL). Elas também podem ter níveis baixos do “bom colesterol” (HDL) e níveis aumentados de outras gorduras do sangue, como os triglicérides. Todas essas alterações podem aumentar o risco de ataque cardíaco (infarto) e derrame cerebral, a longo prazo, principalmente em pacientes obesas. (Leia mais sobre problemas do colesterol clicando aqui )
Outro problema é decorrente da irregularidade menstrual e da falta de ovulação, que fazem com que a camada de revestimento interno do útero (o endométrio) não seja descamado e substituído regularmente (a cada mês). Se esse problema não for tratado, há um aumento do risco de desenvolver câncer do útero.

Como é o tratamento da SOMP?

Embora a SOMP não seja curável, há vários tratamentos disponíveis atualmente que podem equilibrar os níveis hormonais de maneira satisfatória e resolver vários dos problemas associados à síndrome.
Pacientes obesas ou com excesso de peso sempre devem ser aconselhadas a perder peso, através de uma alimentação saudável (com menor ingesta de calorias) e aumento da atividade física. Muitas vezes, apenas essa perda de peso é suficiente para aliviar muitos dos sintomas da síndrome, mesmo com perdas modestas (de 5 a 8Kg, por exemplo). (Leia mais sobre obesidade e perda de peso clicando aqui.)
Além da perda de peso, alguns medicamentos também podem ser utilizados para diminuir os sintomas da SOMP e reverter algumas das alterações hormonais.

Que medicamentos podem ser usados no tratamento da SOMP?

Medicações também podem ser usadas para controlar os sintomas da SOMP. Os anticoncepcionais orais, principalmente aqueles que contêm medicamentos que combatem os hormônios masculinos (por exemplo: acetato de ciproterona e drospirenona), ajudam a tratar a irregularidade menstrual e minimizam a acne e o excesso de pêlos, quando utilizados por vários meses. Estão melhor indicados em pacientes com SOMP que não desejam engravidar.
Mais recentemente, muitos médicos estão preferindo tratar a SOMP com medicações que agem melhorando a resistência à insulina, visto que este parece ser um dos principais mecanismos envolvidos no desenvolvimento da síndrome. Entre essas medicações, a mais utilizada é a metformina, um medicamento originalmente criado para o tratamento de diabetes, mas que provou ser efetivo em reduzir os níveis de insulina, melhorar a irregularidade menstrual, diminuir os pêlos e a acne (embora de maneira não tão evidente quanto com os anticoncepcionais), provocar perda de peso e aumentar a fertilidade de mulheres com SOMP. A metformina ajuda mulheres com SOMP a engravidar, visto que é capaz de aumentar a taxa de ovulação dessas pacientes e parece ter um papel em prevenir abortos precoces. Já foi utilizada inclusive durante a gravidez, aparentemente sem grandes riscos para a mãe ou o feto, mas o seu uso nesta situação ainda não é um consenso entre os especialistas. Mais interessante ainda é o fato de que o uso de metformina, por melhorar a ação da insulina, melhora os níveis de glicose e colesterol, e pode ajudar a prevenir as complicações mais sérias da SOMP, que são o diabetes e as doenças cardiovasculares. Por essa razão, a metformina está sendo cada vez mais utilizada para o tratamento da SOMP, tanto em pacientes obesas como nas magras. Outras medicações que agem melhorando a resistência à insulina mas que ainda não são tão estudadas são a pioglitazona e a rosiglitazona.
Há também tratamentos específicos para induzir a ovulação e obter a gravidez, como o uso de citrato de clomifeno e de gonadotrofinas, que devem ser utilizados sob a supervisão de um ginecologista experiente em reprodução humana.
Também há medicações para reduzir os efeitos dos hormônios masculinos, como a espironolactona e a flutamida. Essas medicações sempre devem ser tomadas junto com anticoncepcionais, visto que podem ser prejudiciais ao feto se a paciente engravidar fazendo uso das mesmas.
Por último, tratamentos para reduzir o excesso de pêlos, como a depilação (usando lâmina, cêra, eletrólise ou laser) ou o uso de cremes que reduzem o crescimento dos pêlos (como a eflornitina) podem ser usados para melhorar o aspecto estético e a auto-estima das pacientes.

Existe alguma cirurgia que pode ser usada para tratar a SOMP?

Antigamente, era muito comum tratar mulheres com SOMP usando uma cirurgia para retirada de uma parte dos ovários (ressecção “em cunha” dos ovários), pois observou-se que esse tipo de procedimento melhorava o ciclo menstrual e aumentava a fertilidade. Entretanto, hoje em dia há vários medicamentos que conseguem desempenhar o mesmo papel dessa cirurgia, com menor risco. Por isso, a cirurgia para tratar a SOMP caiu no desuso e não é mais utilizada atualmente.

Hipotireoidismo

O que é hipotireoidismo?

Hipotireoidismo é um distúrbio que cursa com a falta de hormônio da tireóide (“tireóide preguiçosa”). O hipotireoidismo é a doença mais comum da tireóide. Ocorre mais freqüentemente em mulheres que em homens, é mais comum em pessoas de mais idade, e pode ter uma característica familial (atingir vários membros de uma mesma família).

Quais são os sintomas do hipotireoidismo?

O hipotireoidismo pode ter vários sintomas, visto que os hormônios da tireóide são importantes para regular o funcionamento de praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo. Quando os níveis de hormônios tireoidianos (T3 T4) se tornam anormalmente baixos por algum motivo, todos os processos do corpo se tornam mais lentos. Por isso, os sintomas do hipotireoidismo incluem:

  1. cansaço excessivo;
  2. desânimo, ou até mesmo depressão;
  3. raciocínio lento;
  4. fala arrastada;
  5. sensação de frio excessivo;
  6. ganho de peso (geralmente, em torno de 3 a 5 Kg);
  7. pele seca e cabelos finos e quebradiços;
  8. inchaço nas pernas ou ao redor dos olhos;
  9. pouca sudorese;
  10. intestino preso e digestão lenta;
  11. irregularidade das menstruações (às vezes, sangramento excessivo);
  12. infertilidade;
  13. batimento lento do coração (menos que 60 batimentos por minuto);
  14. aumento do colesterol.

Esses sintomas não são exclusivos do hipotireoidismo. Ou seja, vários outros problemas de saúde podem causar sintomas bastante semelhantes aos do hipotireoidismo. Por isso, algumas vezes os sintomas são atribuídos a outras doenças que podem apresentar algumas manifestações semelhantes, tais como: anemia, depressão e deficiência de vitaminas, e o diagnóstico de hipotireoidismo pode ser feito anos após o início das queixas do paciente. Felizmente, hoje em dia os médicos conhecem melhor as características do hipotireoidismo e fazem o diagnóstico mais precocemente.

Quais são as causas do hipotireoidismo?

Nos adultos, a causa mais comum de hipotireoidismo é um distúrbio chamado tireoidite de Hashimoto, ou simplesmente doença de Hashimoto. Nessa doença, o sistema de defesa do organismo (sistema imunológico) ataca a glândula tireóide e causa dano a essa glândula, comprometendo a sua capacidade de produzir hormônios tireoidianos. Por isso, a doença de Hashimoto faz parte de um grupo de doenças chamadas auto-imunes.
O hipotireoidismo pode ser causado também por tratamentos médicos que reduzem a capacidade da tireóide produzir hormônio, como, por exemplo: o uso de iodo radioativo (para tratamento de hipertireoidismo, que é o oposto do hipotireoidismo) ou a cirurgia, com retirada parcial ou total da tireóide (para tratamento de outros problemas nessa glândula). Leia mais sobre hipertireoidismo clicando aqui.
Outra causa de hipotireoidismo, bastante rara, é a presença de alguma doença da hipófise, levando à redução da produção do TSH, o hormônio que estimula o funcionamento da tireóide. Algumas medicações também podem levar à redução da produção ou da ação dos hormônios tireoidianos e, portanto, provocar hipotireoidismo (por exemplo: amiodarona, xaropes para tosse contendo iodo, carbonato de lítio).
Há casos, ainda, em que a tireóide não se desenvolve adequadamente e a criança apresenta deficiência de hormônios tireoidianos desde o nascimento; é o chamado hipotireoidismo congênito, que geralmente é diagnosticado já no berçário através do teste do pezinho.

Quais as conseqüências do hipotireoidismo?

Em adultos, o hipotireoidismo (se não for tratado corretamente) leva a uma significativa redução da sua performance física e mental, além de poder causar elevação dos níveis de colesterol, que aumentam as chances de algum problema cardíaco. Além disso, o hipotireoidismo severo, sem tratamento, pode evoluir ao longo do tempo até uma situação dramática e com grande risco de vida, o chamado coma mixedematoso, que se apresenta como redução da temperatura corporal, perda de consciência e mau funcionamento do coração.
O diagnóstico de hipotireoidismo é especialmente importante quando é feito durante a gestação, pois a falta de hormônios tireoidianos pode afetar profundamente o desenvolvimento do bebê, provocando retardo mental e atraso do crescimento. No entanto, esses problemas para o bebê são prevenidos pelo tratamento precoce da mãe com a reposição de hormônio tireoidiano.

Como é feito o diagnóstico de hipotireoidismo?

Geralmente o diagnóstico é confirmado através de um simples exame de sangue. Os exames que ajudam no diagnóstico do hipotireoidismo são: a dosagem de TSH (que é um hormônio produzido pela hipófise, e que estimula o funcionamento da tireóide), e a dosagem de hormônios tireoidianos (T4 T3).

Classicamente, o diagnóstico de hipotireoidismo é feito quando o paciente apresenta TSH aumentado e T4 baixo no sangue. Entretanto, em casos muito leves de hipotireoidismo, ou quando este está apenas no início, pode-se encontrar TSH aumentado com T4 normal. Ou seja, o nível de TSH aumenta antes que o nível de T4 caia abaixo do normal. Essa situação, em que o TSH está elevado com T4 normal, é chamada de hipotireodismo subclínico. Entre os dois exames de sangue, o TSH é o mais importante, já que o T4 pode variar mais de um dia para o outro ou de uma coleta para a outra; por isso o médico vai prestar mais atenção ao TSH do que ao T4 para fazer o diagnóstico de hipotireoidismo.

TIREÓIDE NORMAL
TSH e T4 normais

HIPOTIREOIDISMO INICIAL OU LEVE (SUBCLÍNICO)
TSH alto e T4 normal

HIPOTIREOIDISMO INSTALADO (CLÍNICO) 
TSH alto e T4 baixo

Outro exame que pode trazer alguma informação é a dosagem de anticorpos contra a tireóide, que geralmente estão aumentados quando a causa de hipotireodismo é a doença de Hashimoto. Os anticorpos que podem ser dosados em laboratório são o anti-tireoperoxidase (ou anti-TPO) e o anti-tireoglobulina (ou anti-TG).

Como é tratado o hipotireoidismo?

O hipotireoidismo é a falta de hormônio tireoidiano. Portanto, o tratamento é feito com a reposição desse hormônio, na forma de comprimidos tomados por via oral. A medicação de escolha é a levotiroxina, que é uma forma farmacológica do hormônio T4. Depois do início da medicação, o paciente comumente leva cerca de 2 semanas para sentir uma melhora importante dos sintomas do hipotireoidismo (podendo ser um pouco mais em casos mais graves).
A levotiroxina deve ser tomada todos os dias, pela manhã, para reproduzir o funcionamento normal da tireóide. Um cuidado importante é tomá-la em jejum (no mínimo 30 minutos antes do café da manhã), porque a ingesta de alimentos junto com a medicação diminui muito a sua absorção pelo intestino e, portanto, a sua eficácia.
Existem várias marcas de levotiroxina no mercado brasileiro, e todas são igualmente efetivas. No entanto, pode haver pequenas diferenças de ação entre uma marca e outra. Por isso, quando uma pessoa começou a usar uma marca de levotiroxina, deve preferencialmente continuar com a mesma marca (a não ser que o médico resolva trocar a medicação por algum motivo). Outro cuidado importante com a levotiroxina é que ela não deve ser manipulada, porque os comprimidos contêm quantidades muito pequenas do hormônio tireoidiano e nem sempre as farmácias de manipulação conseguem colocar a quantia exata do hormônio dentro das cápsulas.
Na maioria das vezes, as pessoas que têm hipotireoidismo precisam fazer o tratamento com levotiroxina para o resto da vida, mas em alguns casos a tireóide volta a funcionar normalmente depois de alguns meses. Se, por algum motivo, a medicação precisar ser trocada, é importante checar os níveis de TSH com exames de sangue após a troca do remédio, para garantir que a dose está sendo adequada.
Existem comprimidos de levotiroxina com várias doses diferentes, disponíveis nas farmácias (25, 50, 75, 88, 100, 112, 125, 150, 175 e 200mcg). O ajuste da dose da medicação é feito com base nas dosagens de TSH, o qual deve ser mantido dentro dos valores normais se possível. Se as doses de levotiroxina estiverem muito baixas para as necessidades do paciente, este pode não sentir melhora dos sintomas do hipotireoidismo ou voltar a apresentá-los. Se as doses estiverem muito altas, o paciente pode desenvolver hipertireoidismo (excesso de hormônio tireoidiano), que leva, a longo prazo, a enfraquecimento dos ossos, funcionamento anormal do coração e arritmias cardíacas, entre outros problemas. (Leia mais sobre hipertireoidismo clicando aqui.)
A necessidade de levotiroxina pode flutuar ao longo do tempo, dependendo de fatores como: outras doenças, gravidez, menopausa e uso de outras medicações. Por essa razão, é recomendável que o paciente com hipotireoidismo seja acompanhado regularmente por um médico, com exames de TSH e ajuste da dose da medicação se necessária.

Então, quem tem hipotireoidismo é uma pessoa doente para a vida toda?

Pessoas com hipotireoidismo precisam fazer o tratamento correto, com o uso diário de levotiroxina na dose mais adequada para sua situação. Se estiverem usando a medicação regularmente, e dessa forma mantendo os níveis de TSH dentro dos valores normais, elas podem ter uma vida saudável, feliz e completamente normal.
No entanto, se o hipotireoidismo não for tratado corretamente, ele pode se tornar um problema sério de saúde, comprometer a capacidade da pessoa realizar suas tarefas e até mesmo representar um risco de vida em casos extremos.

                Em que casos uma pessoa deve fazer exames para avaliar a tireóide?

Nem todas as pessoas precisam fazer exames de sangue para avaliar se a tireóide está funcionando corretamente. O médico é quem determina se alguém precisa ou não fazer uma dosagem de TSH, mas existem algumas situações em que é necessária essa avaliação, como, por exemplo:

  1. sintomas sugestivos de hipotireoidismo ou hipertireoidismo;
  2. outras pessoas na família com doenças da tireóide;
  3. gravidez.

Alguns especialistas recomendam ainda que todas as mulheres com mais de 60 anos deveriam fazer pelo menos um exame de TSH, mesmo na ausência de sintomas, visto que o hipotireoidismo é muito comum nesse tipo de população, mas este ainda é um assunto controverso.

Colesterol e Triglicérides

O que é colesterol?
Colesterol é um tipo de gordura que é produzido exclusivamente por animais, inclusive os humanos. O colesterol circula normalmente no sangue, sendo usado pelas células do corpo para construir as membranas celulares, para fabricação de alguns hormônios e vitaminas e também como uma fonte de energia.

O que são os triglicérides?
Triglicérides, ou triglicerídeos, são um tipo de gordura, composto por uma molécula de glicerol e três moléculas de ácidos graxos. Os triglicérides são a principal forma de estocagem de energia dos animais, que os acumulam no tecido adiposo na forma de gordura.

Qual a importância dos níveis de colesterol no sangue?
O aumento dos níveis de colesterol acima de limites desejáveis é conhecido como hiperlipidemia, ou hipercolesterolemia, ou simplesmente dislipidemia. A maioria das pessoas com colesterol alto não tem qualquer sintoma; no entanto, os níveis altos de colesterol sangüíneo aumentam muito o risco do indivíduo apresentar doenças graves, tais como: a angina pectoris (uma dor no peito de origem cardíaca), o infarto do miocárdio, o derrame (acidente vascular cerebral) e problemas de circulação em outros locais do corpo. Todas essas doenças ocorrem porque o colesterol aumentado no sangue acaba se depositando nos vasos sangüíneos (artérias) com o passar do tempo, na forma de gordura, e isso leva finalmente ao entupimento da artéria. Assim, o sangue não consegue mais circular pelo vaso atingido. A obstrução das artérias pela deposição de gordura (colesterol) nas suas paredes é conhecida como aterosclerose. O órgão ou tecido afetado sofre danos graves pela falta de circulação. Se isso ocorrer no coração, o paciente tem angina ou um infarto; se ocorrer no cérebro, a pessoa tem um derrame; e assim por diante.
Por esse motivo, os médicos prescrevem tratamento para pessoas com colesterol alto, pois a redução dos níveis de colesterol pode protegê-las de doenças cardíacas e derrame cerebral. Felizmente, na grande maioria dos casos os níveis de gordura no sangue podem ser controlados com uma combinação de dieta, perda de peso, exercício e medicações adequadas.

Como as gorduras circulam no sangue?
As gorduras circulam no sangue na forma de partículas esféricas, compostas por algumas proteínas na superfície e contendo lipídios (gorduras) no seu interior. Essas partículas são chamadas lipoproteínas.
Existem vários tipos de lipoproteínas. As mais importantes são:
a) LDL (low-density lipoprotein, ou lipoproteína de baixa densidade) – Também é chamada de “mau colesterol”, pois vários estudos grandes mostraram que os níveis aumentados de LDL estão fortemente associados com o risco de doença cardiovascular. Transportam o colesterol do fígado e do intestino para os tecidos periféricos. O colesterol ligado às partículas de HDL pode ser medido por exames de laboratório, e é chamado de LDL-colesterol.
b) HDL (high-density lipoprotein, ou lipoproteína de alta densidade) – É conhecida como “bom colesterol”, pois, ao contrário da LDL, quanto maiores os níveis de HDL no sangue de uma pessoa, menores são suas chances de desenvolver doenças cardiovasculares. Também transportam colesterol, mas no sentido inverso do LDL: retiram a gordura dos tecidos periféricos e dos vasos e a transportam para o fígado, onde vai ser metabolizada. O colesterol ligado às partículas de HDL pode ser dosado em laboratório, e é chamado HDL-colesterol.
c) VLDL (very-low-density lipoprotein, ou lipoproteína de muito baixa densidade) – transporta colesterol e triglicérides. O aumento das VLDL (que pode ser constatado pelo aumento dos triglicérides no sangue) também aumenta o risco de problemas cardíacos.
d) Quilomícrons – transportam basicamente triglicérides.

Que tipos de gordura podem ser dosados no sangue?
A maioria dos laboratórios consegue dosar os seguintes tipos de gordura:
– Colesterol total;
– HDL-colesterol;
– LDL-colesterol;
– Triglicerídeos.

Geralmente os médicos solicitam um exame chamado “perfil lipídico”, ou “lipidograma”, que é a dosagem dos 4 tipos principais de gorduras: colesterol total, HDL-colesterol, LDL-colesterol e triglicerídeos.
Um cuidado importante quando se vai colher uma amostra de sangue para dosagem do perfil lipídico é que o paciente deve fazer pelo menos 12 horas de jejum antes da coleta, para não haver interferência nos resultados do exame.

Quais são os valores normais de colesterol e triglicérides?
Os valores de referência usados pela maioria dos laboratórios clínicos, para a população geral, estão na tabela abaixo:

Valores de Referência dos Lípides Sangüíneos para a População Geral

Esses valores de colesterol são válidos para todos os indivíduos?
Não. Diferente de outros exames, onde há um valor de corte nítido entre o normal e o anormal, os níveis de colesterol considerados adequados para determinada pessoa vão depender das características desse indivíduo.
Visto que quanto maiores os níveis de colesterol, maiores são as chances de doença cardíaca, é prudente atribuir valores “normais” de colesterol cada vez mais baixos quanto maior é o risco de doença cardíaca de um paciente ou grupo de pacientes. Ou seja: pessoas de alto risco de doença cardiovascular precisam ter um nível de colesterol mais baixo do que pessoas de baixo risco.
Isso é especialmente válido para o LDL-colesterol, que está fortemente associado com o risco de doença cardiovascular.
Existem várias formas de definir quais são os valores desejáveis de colesterol de um determinado paciente. O método mais utilizado é o chamado score de Framingham, que avalia o risco de doença cardiovascular de acordo com a presença ou não de certos fatores de risco.

Quais são os outros fatores de risco para doença cardiovascular?
Além dos níveis de colesterol, há vários outros fatores que podem aumentar o risco de uma pessoa desenvolver doença cardiovascular.
Os mais importantes, e que são levados em conta no cálculo do score de Framingham, são os seguintes:

– Diabetes mellitus;
– Tabagismo;
– Hipertensão arterial;
– História familiar de doença cardiovascular prematura (ou seja, em parentes de primeiro grau: homens abaixo dos 55 anos e mulheres abaixo dos 65 anos);
– Idade: maior que 45 anos em homens e maior que 55 anos em mulheres;
– Presença de outras doenças relacionadas à aterosclerose: acidente vascular cerebral ou doença arterial periférica (má circulação nos membros inferiores).

Como calcular o score de Framingham?
O score de Framingham estima o risco de uma pessoa apresentar doença cardiovascular nos próximos 10 anos. Considera-se esse risco:
– Baixo: quando menor que 10%;
– Moderado: entre 10 e 20%;
– Alto: maior que 20%.

Você pode calcular seu score de Framingham de 2 maneiras: ou usando tabelas prontas, que vão pontuar a presença ou não de cada um dos fatores de risco mais importantes, ou através de programas especialmente desenhados para esse fim, onde você entra com suas informações (nível de pressão, idade, níveis de colesterol etc.) e o próprio programa calcula o seu risco.

Experimente calcular seu score de Framingham:

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Tabelas

Então, quais são os valores desejáveis de colesterol e triglicérides, de acordo com o score de Framingham?
Os valores desejáveis de colesterol e triglicérides também vão depender de outro dado importante: se o paciente já apresentou ou não algum tipo de doença cardiovascular.
Se o paciente nunca teve infarto do miocárdio, angina, derrame ou doença arterial periférica, então o objetivo do tratamento é impedir que ele venha a apresentar algum desses distúrbios. Trata-se de um paciente em prevenção primária.
Agora, se o paciente já apresentou alguma dessas doenças, então o objetivo do tratamento é impedir que ele apresente um novo episódio. Nesse caso, o manejo dos níveis de colesterol deve ser mais rigoroso, pois trata-se de um paciente em prevenção secundária.
A tabela abaixo apresenta as principais recomendações para os níveis desejáveis de LDL-colesterol, dependendo das características do paciente:

Valores Desejáveis de LDL-Colesterol de Acordo com o Risco Cardiovascular

* Doença cardiovascular é definida como a presença (ou história prévia) de: infarto do miocárdio ou angina; ou doença sintomática das artérias carótidas; ou doença arterial periférica; ou aneurisma de aorta abdominal.

Quais são as causas do aumento do colesterol?
O consumo exagerado de alimentos ricos em colesterol (carnes gordas, leite integral, queijos amarelos, bacon, manteiga, banha) pode fazer os níveis de colesterol aumentarem. Além disso, o excesso de peso pode fazer os níveis de colesterol e triglicérides subirem. Mulheres tendem a ter um aumento do colesterol após a menopausa. Finalmente, fatores genéticos podem ser responsáveis pelo aumento do colesterol em algumas pessoas, principalmente se houverem várias pessoas na mesma família com esse problema.

Quais são as causas do aumento dos triglicérides?
A causa mais comum do aumento de triglicérides é a obesidade. Lembre que os triglicérides são a forma na qual a energia em excesso é armazenada no corpo humano. A gordura do corpo é composta na sua grande maioria por triglicérides. Portanto, quanto mais acima do peso um indivíduo, maiores seus níveis de triglicérides. Freqüentemente, pessoas obesas apresentam triglicérides elevados, HDL-colesterol baixo, glicemias alteradas (ou diabetes) e/ou pressão alta; é a chamada síndrome metabólica. (Leia mais sobre síndrome metabólica clicando aqui).
O consumo exagerado de carboidratos ou açúcar pode aumentar os triglicérides também. Além disso, o consumo de grandes quantidades de álcool também pode elevar os triglicérides. Outras causas de aumento dos triglicérides, que devem ser pesquisadas em todos os pacientes, são: o hipotireoidismo, o diabetes mellitus descontrolado, algumas doenças do rim (síndrome nefrótica) e alguns distúrbios genéticos (hipertrigliceridemia familiar).
Em mulheres, uma causa comum do aumento de triglicérides é o uso de estrógenos por via oral, seja como pílulas anticoncepcionais ou como tratamento da menopausa (reposição hormonal); se os triglicérides estiverem muito aumentados nessa situação, pode ser necessário o uso de estrógenos por outra via que não a oral (injetável, adesivos, cremes ou vaginal). Várias medicações também podem aumentar os triglicérides, dentre elas: diuréticos, beta-bloqueadores, corticóides, anti-psicóticos e medicações contra o vírus HIV.

Quem deve fazer exames para avaliar seus níveis de colesterol e triglicérides?
As recomendações atuais são de que todos os adultos, a partir dos 20 anos de idade, façam uma dosagem de colesterol e triglicérides pelo menos uma vez a cada 5 anos.
É preferível a coleta do perfil lipídico completo (colesterol total, HDL-colesterol, LDL-colesterol e triglicérides).
Pessoas com níveis de colesterol dentro da faixa desejável podem colher um novo exame em apenas 5 anos; se houver qualquer alteração, é necessário repetir o exame com mais freqüência e/ou buscar avaliação médica para iniciar o tratamento mais adequado.

Quem deve receber tratamento para os níveis de colesterol?
A decisão de iniciar tratamento para redução dos níveis de colesterol (ou triglicérides) é feita pelo médico, avaliando caso a caso. Para isso, é necessário considerar todas as outras características do paciente, tais como a presença de outros fatores de risco cardiovascular e a presença ou não de doença cardiovascular instalada (se ausente: prevenção primária; se presente: prevenção secundária).
a) Prevenção secundária (pessoas com doença cardiovascular prévia – infarto, angina, derrame, má circulação em membros inferiores) – neste caso, um tratamento mais agressivo, objetivando uma redução importante dos níveis de colesterol, é recomendável. Geralmente é desejável um nível de LDL-colesterol menor que 100 mg/dL. Entre 100 e 130 mg/dL, pode-se tentar apenas a modificação dietética, perda de peso e prática de exercício; mas medicações podem ser necessárias. Medicações são geralmente utilizadas quando o LDL-colesterol está acima de 100 ou 130 mg/dL. Em diabéticos com doença cardiovascular, a maioria dos médicos hoje recomenda manter um nível de LDL-colesterol mais baixo ainda: menor que 70 mg/dL.
b) Prevenção primária (pessoas sem doença cardiovascular conhecida) – Neste grupo de indivíduos, uma dieta específica é recomendada se houver LDL-colesterol muito aumentado ou um aumento de LDL-colesterol moderado na presença de dois ou mais fatores de risco cardiovascular. Medicações podem ser necessárias se, após algumas semanas de dieta, o LDL-colesterol ainda estiver acima de 190 mg/dL em qualquer paciente ou acima de 160 mg/dL em pacientes com 2 ou mais fatores de risco adicionais. Uma exceção são os diabéticos, que devem ter um LDL-colesterol menor que 100 mg/dL.

Quem deve receber tratamento para os níveis de triglicérides?
Triglicérides aumentados também podem aumentar o risco de doença cardiovascular, portanto pode ser necessário tratamento específico para sua redução nas seguintes situações:
– Níveis extremamente altos de triglicérides (maior que 1.000 mg/dL);
– Aumento combinado de LDL-colesterol e triglicérides;
– Presença de doença cardiovascular (prevenção secundária);
– Forte história familiar de doença cardiovascular;
– Presença de outros fatores de risco cardiovascular.

Como é feito o tratamento?
Os níveis de lipídios (colesterol e triglicérides) no sangue podem ser reduzidos com o uso de modificações de estilo de vida, medicações e combinações dos dois. Em certos casos, o médico pode recomendar uma tentativa com mudanças dos hábitos de vida (cuidados com a alimentação, exercícios físicos, perda de peso) antes de resolver prescrever alguma medicação.

Quais são as mudanças de estilo de vida que ajudam a controlar o colesterol?
Todos os pacientes com níveis altos de colesterol total ou LDL-colesterol devem efetuar mudanças dos seus hábitos alimentares, principalmente diminuindo o consumo de gordura total e gorduras saturadas. Gorduras saturadas são aquelas que se tornam endurecidas à temperatura ambiente, e são encontradas principalmente em alimentos de origem animal (exemplo: carne, manteiga, leite, queijo), mas também podem ser encontradas em produtos vegetais como: óleo de coco, manteiga de cacau e margarina. O consumo de gorduras saturadas deve ser reduzido ao mínimo. O paciente deve dar preferência ao consumo de gorduras poli-insaturadas (óleos vegetias, óleo de milho, óleo de soja) ou mono-insaturadas (nozes, abacate, óleo de oliva). Em alimentos industrializados, o rótulo do produto traz informações sobre a sua quantidade de gordura saturada, mono-insaturada e poli-insaturada. Portanto, acostume-se a ler os rótulos!
Algumas dicas para reduzir o consumo de gordura saturada estão na tabela abaixo:

– Prefira alimentos com menos gordura total, gordura saturada e colesterol;
– Dê preferência a carnes magras (frango, peixe ou carne bovina magra);
– Retire a gordura visível da carne, frango e peixe antes de prepará-los; retire também a pele do frango e do peixe antes de consumi-los, pois a pele é rica em gordura;
– Evite fritar os alimentos; prefira grelhar, assar, cozinhar ou refogar;
– Limite a ingesta de gemas de ovos: no máximo 2 por semana;
– Prefira leite e laticínios desnatados;
– Opte por queijos brancos, com menor teor de gordura;
– Evite embutidos;
– Reduza alimentos ricos em gordura: maionese, manteiga, bacon, molhos cremosos (preparados com creme de leite), temperos de salada cremosos ou oleosos etc;
– Use a menor quantidade possível de gordura para preparar os alimentos;
– Coma vegetais frescos e frutas todos os dias;
– Prefira alimentos preparados com grãos integrais: pão, biscoitos, arroz, massas integrais, pois os mesmos são ricos em fibras alimentares que ajudam a controlar os lipídios sangüíneos.

perda de peso, em pacientes que estão com sobrepeso ou obesidade, também ser útil, principalmente na redução dos triglicérides. Exercícios aeróbicos muitas vezes são auxiliares importantes do tratamento.
Uma opção também é o uso de alguns produtos comerciais contendo um tipo de gorduras vegetais conhecido como fitostanóis, que estão presentes em margarinas e óleos vegetais especiais criados para atender às pessoas que precisam controlar seus níveis de lipídios no sangue. Tais produtos podem ser identificados na prateleira do supermercado pelas informações nos rótulos.

Que mudanças de estilo de vida podem ajudar a controlar os triglicérides?
Os passos mais importantes são: melhorar a alimentação, perder peso (em pessoas com obesidade ou sobrepeso), aumentar o nível de atividade física e diminuir ou interromper o consumo de álcool. Parar de fumar também é muito importante.
Quanto à alimentação, é recomendável reduzir o consumo de calorias totais, através da restrição de gorduras e carboidratos (pães, massas, arroz, açúcar).

Se o rótulo de um produto traz a informação de que o mesmo é “sem colesterol”, ou com “baixo teor de colesterol”, isso significa que o produto tem pouca gordura e seguro para consumo?
Nem sempre. Vários alimentos vêm com a inscrição “sem colesterol” no rótulo e mesmo assim são ricos em gorduras saturadas.
Para entender isso, lembre-se que o colesterol é uma gordura produzida apenas por animais. Portanto, alimentos de origem vegetal (óleos vegetais, margarina etc.) não têm colesterol porque os vegetais não possuem colesterol. Mesmo assim, alguns vegetais são ricos em outros tipos de gordura que podem ser perigosas se consumidas em excesso. Alguns produtos, apesar de não possuírem colesterol, podem ser fabricados com grandes quantidades de gordura saturada, e portanto devem ser evitados.
A maneira mais segura de saber se um determinado produto é seguro ou não é lendo as informações nutricionais no rótulo. Ali devem estar discriminadas as quantidades de calorias, gorduras totais, gorduras saturadas e insaturadas.

Quando usar medicações para controlar o colesterol?
As medicações estão indicadas quando o paciente tiver níveis muito elevados de colesterol ou LDL-colesterol, ou quando tiver um aumento moderado mas os níveis não atingirem a meta desejada depois de algum tempo de cuidados com a dieta e exercícios físicos.
Infelizmente, apenas a modificação da dieta não é capaz de controlar os níveis de colesterol na maioria dos pacientes. Quando a pessoa costuma ingerir quantidades grandes de gordura total ou saturada, a modificação da dieta consegue reduzir os níveis de LDL-colesterol em até 10 ou 20%. No entanto, na maioria dos casos a redução de LDL-colesterol obtida com a dieta isolada é da ordem de 5 a 8%.
O médico geralmente vai recomendar o uso de medicações para controle do colesterol se, depois de um certo tempo (3, 6 ou 12 meses, dependendo do caso) com modificação dietética, perda de peso e exercícios, os níveis de colesterol do paciente não chegarem no recomendado para esse paciente (de acordo com seu grau de risco cardiovascular, avaliado pelo score de Framingham).

Que medicações podem ser utilizadas para controle do colesterol?
Vários tipos de medicações estão disponíveis, hoje em dia, para ajudar a reduzir os níveis de colesterol e triglicérides. Cada classe de medicações tem uma ação maior sobre um ou outro tipo de gordura sangüínea, além de ter diferentes mecanismos de ação, preços, eficácia e efeitos colaterais. O médico é quem vai definir qual o tipo de medicação mais adequada para cada caso. Algumas vezes, pode ser necessário o uso de mais de uma medicação.
As principais classes de medicamentos são as seguintes:
a) Estatinas – Incluem a sinvastatina, atorvastatina, rosuvastatina, pravastatina, lovastatina e fluvastatina. Diminuem a produção de colesterol pelo fígado. São as drogas mais eficazes para redução do colesterol total e LDL-colesterol, que podem ser reduzidos em 20 a 60% (dependendo da medicação e da dose), além de reduzirem modestamente os triglicérides. Costumam ter menos efeitos colaterais que outros tipos de medicação. São as medicações mais utilizadas para controle do colesterol. Um dos efeitos adversos mais comuns são os problemas musculares: dores musculares (nas coxas, pernas, braços) devem ser relatadas imediatamente ao médico se surgirem após o início da medicação.
b) Fibratos – Incluem o bezafibrato, ciprofibrato, etofibrato, fenofibrato e gemfibrozil. São mais eficazes na redução de triglicérides e aumento do HDL-colesterol, portanto são mais utilizados para tratamento de triglicérides elevados. Podem ser usados algumas vezes junto com alguma estatina (em pacientes com aumento tanto do LDL-colesterol quanto dos triglicérides), mas nesse caso aumentam o risco de lesão muscular pela estatina. Devem ser usados com cautela em pacientes com doenças renais.
c) Resinas seqüestrantes de ácidos biliares – Incluem a colestiramina e o colestipol. Diminuem a absorção de gordura pelo intestino. Podem ser usados em casos de aumento leve a moderado do colesterol, mas produzem vários efeitos colaterais como: diarréia, náusea, cólicas, flatulência e problemas do fígado.
d) Ácido nicotínico (niacina) – é uma vitamina que reduz o nível de LDL-colesterol e VLDL-colesterol, além de aumentar o HDL-colesterol (“bom” colesterol) de uma forma mais importante que outras medicações. Pode ser usado para alguns casos de LDL-colesterol alto com HDL-colesterol muito baixo. Entretanto, também têm efeitos adversos incômodos e freqüentes, principalmente quando usados em doses altas: sensação de calor na parte superior do corpo, coceira, náuseas, formigamento e adormecimento das extremidades, problemas do fígado. Os efeitos colaterais podem ser reduzidos se a medicação for tomada com comida, ou com aspirina (tomada 30 minutos antes), ou com o uso de formulações de niacina de liberação prolongada, que possuem menos efeitos colaterais que as formulações de ação rápida.
e) Ezetimibe – é uma medicação nova que ajuda a reduzir o LDL-colesterol e o colesterol total. É uma droga fraca quando utilizada isoladamente, mas produz uma boa redução do colesterol quando utilizada juntamente com as estatinas. Por isso, é usada quase sempre em associação com a sinvastatina ou atorvastatina, em pessoas com níveis muito altos de colesterol e LDL-colesterol.

Qual a utilidade do óleo de peixe? E da soja? E do alho?
Várias outras formas de tratamento têm sido propostas para controle do colesterol, mas poucas delas realmente funcionam, e geralmente seus efeitos são muito pequenos em comparação com as medicações disponíveis. Converse com seu médico antes de iniciar o uso de qualquer desses suplementos. Um resumo dos outros tratamentos está abaixo:
a) Óleo de peixe – alguns suplementos à base de óleo de peixe são ricos em ácidos graxos ômega-3 e ômega-6, que ajudam a reduzir os triglicérides mas podem aumentar um pouco o LDL-colesterol. Precisam ser usados em altas doses e produzem alguns efeitos colaterais incômodos (náusea, cheiro de peixe ou gosto de peixe na boca, gases, diarréia).
b) Proteína de soja – As isoflavonas são substâncias presentes na soja que têm um efeito semelhante ao hormônio natural feminino (estrógeno), e por isso têm sido usadas para aliviar sintomas da menopausa em algumas mulheres. Podem ajudar a reduzir um pouco o colesterol total, LDL e triglicérides, mas seu efeito costuma ser fraco.
c) Alho – O consumo regular de alho pode ajudar a reduzir discretamente o colesterol total e o LDL.
d) Berinjela – Há alguns estudos mostrando que o consumo regular de berinjela pode ajudar a reduzir um pouco o nível de colesterol.

Por quanto tempo usar a medicação?
Uma vez iniciada a medicação para controle dos níveis de colesterol ou triglicérides, seu uso deve ser mantido por toda a vida, na maioria dos casos. Assim como outros problemas de saúde (pressão alta, diabetes etc.), o aumento de colesterol não tem cura, e as medicações controlam as gorduras do sangue apenas enquanto estão sendo tomadas. Uma vez que se interrompa o uso dos medicamentos, o colesterol (ou os triglicérides) voltam a subir e o paciente volta a ter um risco aumentado de problemas cardiovasculares.
Por isso, o médico deve avaliar bem os riscos e os benefícios do uso de medicações em cada caso.

Nódulos de Tireóide

O que são os nódulos de tireóide?

Nódulos são áreas de crescimento exagerado, formando “caroços”, que se diferenciam do restante da tireóide, que podem ser de vários tamanhos, desde alguns milímetros até vários centímetros de diâmetro. Nódulos de tireóide são extremamente comuns.

Cerca de 90 a 95% de todos os nódulos da tireóide são provocados por alterações benignas (ou seja, não contêm câncer), e não são prejudiciais ou perigosos. A pessoa portadora de um nódulo na tireóide na maioria das vezes nem desconfia da presença dele, a menos que ele cresça e comece a produzir sintomas. Os nódulos podem ser encontrados pelo médico quando ele examina a glândula tireóide ou quando ele solicita um exame de ultrassom. Entretanto, a maioria dos nódulos descobertos pelo ultrassom é pequena (menor que 1 cm) e muitas vezes nem consegue ser encontrado com a palpação (principalmente se estiver na região posterior da tireóide). De fato, até metade (50% !) dos indivíduos adultos pode apresentar algum tipo de nodulação na tireóide, se submetidos a um exame de ultrassom – a grande maioria deles sem qualquer significado clínico.

Todo nódulo na tireóide merece uma avaliação por um médico endocrinologista, devido à possibilidade (pequena, mas não desprezível) de abrigar um câncer de tireóide. Alguns exames, principalmente a punção aspirativa da tireóide com agulha fina (um tipo de biópsia da glândula tireóide), podem revelar com bastante segurança se um determinado nódulo é perigoso ou inocente e, assim, ajudar a definir qual é o melhor tratamento. No caso de nódulos pequenos, benignos, pode não ser necessário tratamento nenhum (apenas a observação).

Que características do nódulo sugerem um câncer de tireóide?

Um nódulo tem maior chance de ser canceroso (maligno) quando apresenta uma ou (principalmente) várias das características abaixo:

– crescimento rápido (semanas – poucos meses);
– consistência sólida, firme, endurecida;
– provoca dificuldade para engolir ou para respirar;
– pouco móvel, ou fixo;
– provoca rouquidão com muita freqüência;
– dor local importante;
– presença de gânglios linfáticos (linfonodos) aumentados e endurecidos no pescoço;
– história de irradiação na região do pescoço, por qualquer motivo;
– outros membros da família já apresentaram câncer da tireóide.


Além disso, nódulos de tireóide que surgem em pessoas abaixo dos 30 ou acima dos 60 anos têm maior chance de malignidade.

O câncer de tireóide é comum?

Considerando todas as pessoas que têm nódulos palpáveis na tireóide, cerca de 4% das mulheres e 8% dos homens têm câncer de tireóide. O câncer de tireóide é o tumor maligno mais comum das glândulas endócrinas.

Como saber se um nódulo de tireóide é maligno?

O médico geralmente solicita alguns exames para saber se um nódulo é benigno ou maligno e, assim, definir qual o melhor tratamento.
Alguns exames que podem ser usados para essa diferenciação são:
– Punção aspirativa da tireóide com agulha fina (PAAF ou PATAF) – que consiste da retirada de uma pequena quantidade de material da tireóide através de uma punção com uma agulha fina, através da pele. O material é então examinado com microscópios, como se fosse uma pequena biópsia. É o melhor exame para definir se o nódulo é benigno ou maligno, tendo uma percentagem muito pequena de erro (em torno de 1%). Pode ser feito com anestesia local, no consultório médico mesmo, e comumente produz apenas um pequeno desconforto (devido à agulha).
– Cintilografia de tireóide – é uma fotografia radioativa da tireóide, tirada após a administração de algum composto radioativo que se concentra principalmente nessa glândula (como o iodo radioativo ou o tecnécio). A cintilografia permite saber se um nódulo está funcionando normalmente. Nódulos que não funcionam (ou seja, não produzem hormônios) são chamados nódulos frios e apresentam uma chance maior de abrigar um câncer. Nódulos que funcionam normalmente ou que funcionam mais que o restante da glândula (nódulos quentes) têm uma chance muito menor de ser câncer.
– Ultrassom de tireóide – é um exame que revela o tamanho da tireóide, a presença de nódulos e as características estruturais desses nódulos (tamanho, forma, contornos, se contêm líquido ou não). Trata-se de um exame simples, barato e que traz muitas informações importantes, que podem ajudar o médico a avaliar se um nódulo tem maior ou menor chance de ser maligno.
– Exames de sangue: TSHanticorposcalcitonina.
Dos exames acima, o único que pode dizer com certeza se o nódulo é maligno ou não é a punção aspirativa. Os demais exames ajudam a aumentar ou diminuir a suspeita de câncer, mas não trazem informações definitivas, devendo ser complementados (em muitas vezes) por um exame de punção.

Qual o tratamento para o câncer de tireóide?

Felizmente, as formas mais comuns de câncer de tireóide (os tipos papilífero folicular) são cânceres de evolução lenta e com uma boa chance de cura (que pode ser alcançada em mais de 90% dos casos com o tratamento adequado).
Portanto, se um paciente recebe o diagnóstico de câncer de tireóide, isso não é motivo para desespero. A maioria dos pacientes com câncer de tireóide consegue ser curada e recuperar-se muito bem deste tipo de tumor.
O tratamento específico do câncer de tireóide depende do tipo específico do tumor. Geralmente o nódulo maligno precisa ser removido através de cirurgia, e após a operação os pacientes recebem uma dose de iodo radioativo para destruir qualquer resto de tumor que tenha permanecido no pescoço.
Depois da cirurgia, os pacientes não são mais capazes de produzir hormônios tireodianos, e apresentam hipotireoidismo, portanto necessitando receber reposição desses hormônios na forma de comprimidos, geralmente pela vida toda. (Leia mais sobre hipotireoidismo clicando aqui.)
Apesar de uma alta taxa de cura (maior que 90%), o paciente vai precisar de acompanhamento médico regular para a vida toda após a remoção de um câncer de tireóide, para ajuste da dose da medicação e para tratamento imediato caso seja encontrado um novo crescimento do tumor.
Os exames pedidos no acompanhamento pós-operatório incluem: exames de sangue (TSH e tireoglobulina, este sendo um marcador tumoral, ou seja, um exame que se altera na presença de vestígios ou um novo crescimento do tumor), ultrassomcintilografia (em alguns casos) e outros exames que o endocrinologista julgar necessário.

Existem outros tipos de câncer da tireóide?

Há outros tipos de câncer de tireóide que são mais agressivos e têm menor chance de cura pelos tratamentos disponíveis atualmente, mas felizmente esses tumores de comportamento mais maligno são muito mais raros. Os outros tipos de câncer que podem acometer a tireóide são: o medular, o anaplásico e outros tipos diversos (linfoma, etc).

Qual o tratamento para um nódulo benigno da tireóide?

Apenas 1 em cada 20 nódulos de tireóide é maligno. A imensa maioria dos nódulos, portanto, é causada por alterações benignas da tireóide. Se o nódulo não estiver causando sintomas ele pode não precisar de tratamento algum, apenas uma avaliação cuidadosa e o acompanhamento pelo médico.
Entretanto, um nódulo, mesmo sendo benigno, pode precisar de tratamento em alguns casos. A cirurgia para remoção do(s) nódulo(s) ou mesmo da tireóide inteira (quando esta apresenta um número muito grande nódulos) pode ser indicada quando o paciente apresenta sintomas significativos (dor, rouquidão, falta de fôlego, dificuldade para engolir, prejuízo estético). O uso de iodo radioativo também pode ser bastante eficaz na redução do tamanho de alguns nódulos benignos, principalmente quando não são muito volumosos, e é uma opção cômoda e segura de tratamento, por eliminar o risco das complicações do procedimento anestésico e cirúrgico, e está sendo cada vez mais utilizado.
Alguns nódulos benignos funcionam mais do que o normal e levam a um quadro de excesso de hormônios tireoidianos (hipertireoidismo), e nesse caso precisam ser tratados com a remoção cirúrgica ou o iodo radioativo, que constitui uma boa opção de tratamento em nódulos menores.
Nódulos formados predominantemente pelo acúmulo de líquido (cistos ou nódulos císticos) podem ser tratados com a simples aspiração do conteúdo do cisto usando uma agulha, inserida através da pele. Esse procedimento resolve uma boa parcela dos casos de cistos. A injeção de álcool no interior do cisto melhora a chance de resolução. Quando o cisto volta a crescer, pode estar indicado o tratamento cirúrgico.

Os nódulos de tireóide podem ser reduzidos com medicamentos?

Antigamente, era comum os médicos prescreverem o uso de hormônios tireoidianos em pessoas que não tinham hipotireoidismo, para tentar diminuir o tamanho dos nódulos benignos de tireóide. No entanto, esse tipo de tratamento não é mais recomendado, a não ser que o paciente apresente deficiência desses hormônios (hipotireoidismo). As razões para esse tipo de terapia estar caindo em desuso são as seguintes:
1) O uso de hormônio tireoidiano era usado como um teste para auxiliar no diagnóstico. Se o nódulo diminuísse de tamanho, era considerado benigno. No entanto, hoje se sabe que alguns nódulos, mesmo sendo cancerosos, podem diminuir de tamanho com esse tratamento. Com o surgimento da punção aspirativa com agulha fina, que define com muita segurança o diagnóstico de malignidade ou benignidade de um nódulo, o teste com hormônio tireoidiano ficou para trás.
2) A redução do tamanho dos nódulos com hormônio tireoidiano mostrou-se muito discreta e temporária. Observou-se que, quando se usava o hormônio por um tempo determinado, os nódulos diminuíam muito pouco de volume, e assim que o uso da medicação era interrompido, os nódulos geralmente voltavam a crescer.
3) O uso de hormônio tireoidiano para tentar reduzir o volume de um nódulo ou do crescimento da tireóide como um todo (bócio), em pacientes que não possuem hipotireodismo, pode trazer várias complicações à saúde, a longo prazo. Isso porque a administração de hormônio da tireóide a pessoas com níveis normais desses hormônios leva a um quadro de hipertireoidismo, que pode trazer efeitos adversos importantes, principalmente para os ossos e o coração. Os riscos desse tratamento, portanto, são maiores que seus benefícios, o que reforçou o seu abandono por parte dos endocrinologistas. (Leia mais sobre hipertireoidismo clicando aqui.)

Pré-Diabetes


O que é o “pré-diabetes”?

Antes de desenvolver o diabetes mellitus tipo 2, a maioria das pessoas apresenta uma condição assintomática chamada “pré-diabetes”. Também conhecida como “intolerância à glicose”, “tolerância diminuída à glicose” ou “glicemia de jejum alterada”, pré-diabetes é um termo que atualmente se aplica a cerca de 41 milhões de pessoas nos Estados Unidos que têm níveis de glicose (açúcar) no sangue maiores que o normal, mas ainda não altos o bastante para fazer o diagnóstico de diabetes.

(Leia mais sobre o diagnóstico do diabetes clicando aqui.)

Qual a importância do pré-diabetes?
Mais e mais, os médicos estão reconhecendo a importância de diagnosticar o pré-diabetes, já que o tratamento dessa condição pode prevenir o aparecimento do diabetes do tipo 2. Além disso, o tratamento adequado do pré-diabetes pode prevenir várias complicações sérias associadas ao diabetes mellitus tipo 2, tais como: doenças cardíacas e lesões aos rins ou aos olhos. Já há vários estudos que demonstram que essas complicações, tradicionalmente atribuídas apenas ao diabetes já instalado, começam a se desenvolver muito antes que o diagnóstico de diabetes seja feito – ou seja, na fase do pré-diabetes.
Ou seja: reconhecer e tratar adequadamente o pré-diabetes pode:
a) prevenir o surgimento do diabetes tipo 2, e
b) prevenir as complicações do diabetes tipo 2 – mesmo que o paciente ainda não tenha diabetes!

Quais são as pessoas que correm risco de desenvolver diabetes tipo 2?
O risco de diabetes tipo 2 está aumentado em pessoas com as seguintes características:

– Presença de outras pessoas na família com diabetes tipo 2 (pais, tios, irmãos);
– Mulheres que tenham tido diabetes gestacional ou que tenham dado à luz um bebê pesando mais de 4 Kg;
– Mulheres com a síndrome dos ovários micropolicísticos;
– Pessoas acima do peso (sobrepeso ou obesidade). principalmente quando o excesso de gordura está mais acumulado na barriga;
– Pessoas com colesterol alto, aumento do triglicérides ou níveis baixos do chamado “bom colesterol” (HDL-colesterol);
– Sedentários;
– Idosos – com o avanço da idade, as pessoas se tornam menos capazes de controlar adequadamente os níveis de glicose.

Como identificar o pré-diabetes?
Embora a maioria das pessoas com pré-diabetes não tenha qualquer sintoma (ou seja, trata-se de uma condição assintomática), alguns indivíduos já podem apresentar sintomas sugestivos de diabetes, tais como: sede excessiva, necessidade de urinar muitas vezes e em grande quantidade, visão borrada ou cansaço acentuado.
Geralmente, o diagnóstico de pré-diabetes é feito através de alguns exames de laboratório.

Quem deve fazer exames para avaliar a presença de pré-diabetes?
As seguintes pessoas precisam fazer exames periodicamente para determinar se são portadoras ou não de pré-diabetes:

– Adultos com mais de 45 anos;
– Adultos com qualquer fator de risco para diabetes (veja quadro acima);
– Excesso de peso (índice de massa corporal acima de 25); *
– Pessoas que já tenham tido exames anteriores com níveis elevados de glicose;
– Mulheres que tenham tido diabetes durante a gravidez (diabetes gestacional) anteriormente ou que tenham dado à luz bebês com mais de 4 Kg;
– Presença de componentes da síndrome metabólica: aumento dos triglicérides, baixos níveis de colesterol “bom” (HDL), acúmulo de gordura no abdome, pressão alta (hipertensão arterial);
– Mulheres com síndrome dos ovários micropolicísticos.

Índice de massa corporal = peso (em Kg) dividido pelo quadrado da altura (em m).

Como é feito o diagnóstico de pré-diabetes?
Dois diferentes testes podem diagnosticar o pré-diabetes. São eles:
a) Glicemia de jejum – consiste na coleta de uma amostra de sangue, em jejum, após um jejum de 8 horas, para avaliar o nível de glicose no sangue. O normal é menor que 100 mg/dL.
b) Teste de Tolerância à Glicose – consiste na coleta de sangue em jejum e na coleta de uma outra amostra de sangue 2 horas após a ingestão de um copo grande de água contendo 75 g de glicose diluída. Deve ser feito quando o paciente apresenta uma glicemia de jejum maior que o normal mas ainda menor que o nível necessário para o diagnóstico de diabetes – ou seja, quando a glicemia de jejum é maior ou igual a 100 mg/dL e menor que 126 mg/dL.

Como interpretar o resultado da glicemia de jejum?

Resultado Diagnóstico
Menor que 100 mg/dL Normal
Entre 100 e 125 mg/dL Glicemia de jejum alterada
Maior (ou igual) a 126 mg/dL (em 2 medidas) Diabetes

Como interpretar o resultado do teste de tolerância à glicose?

Resultado (2 horas após 75g de glicose) Diagnóstico
Menor que 140 mg/dL Normal
Entre 140 e 199 mg/dL Intolerância à glicose
Maior (ou igual) a 200 mg/dL Diabetes

Resumindo: 
– Pacientes com glicemia de jejum normal (menor que 100) e teste de tolerância à glicose normal (menor que 140) são considerados normais;
– Pacientes com glicemia de jejum normal ou alterada (mas menor que 126) e teste de tolerância à glicose entre 140 e 200 são considerados portadores de intolerância à glicose;
– Pacientes com glicemia de jejum alterada (mas menor que 126) e teste de tolerância à glicose normal (menor que 140) são considerados portadores de glicemia de jejum alterada;
– Pacientes com glicemia de jejum maior que 126 (em pelo menos 2 medidas, em dias diferentes) OU com teste de tolerância à glicose acima de 200 são considerados portadores de diabetes.
– Pacientes com intolerância à glicose ou glicemia de jejum alterada são considerados portadores de pré-diabetes.

Pré-Diabetes

Glicemia de jejum
OU
Teste de Tolerância à Glicose (2h)
Entre 100 e 125

Entre 140 e 199

Qual é o tratamento para o pré-diabetes?
O principal componente do tratamento do pré-diabetes consiste nas mudanças de estilo de vida – ou seja, na adoção de um hábito de vida saudável, que inclui as seguintes medidas:
a) alimentação saudável e equilibrada – leia mais em: “10 passos para uma alimentação saudável”;
b) perda de peso – se você está acima do peso, uma perda de 5 a 10% do seu peso inicial pode fazer uma enorme diferença;
c) atividade física regular – tente exercitar-se 30 minutos por dia, durante 5 dias da semana. Essa atividade pode ser dividida em vários períodos curtos: 3 sessões de 10 minutos num dia ou 2 sessões de 15 minutos noutro dia. Escolha uma atividade que você goste de fazer, como, por exemplo, caminhar, ou nadar, ou dançar, ou jogar tênis ou futebol.
d) pare de fumar;
e) trate adequadamente da sua pressão arterial ou do seu colesterol, se necessário.