Sintomas

Quais são os sintomas do diabetes?

Se a doença estiver no início, o paciente pode não perceber quaisquer sintomas que chamem a sua atenção. De fato, por ser uma doença relativamente assintomática no seu início, estima-se que cerca de 50% dos diabéticos não saibam do diagnóstico. Ou seja: metade dos diabéticos não sabe que tem diabetes!
Por isso é importante a avaliação médica e a dosagem da glicemia no sangue em pessoas com alto risco para desenvolver diabetes ou que apresentem quaisquer sintomas compatíveis com diabetes.
Em pessoas com doença mais avançada ou com glicemia mais alta, alguns sintomas muito sugestivos de diabetes são:

– vontade de urinar a toda hora, com grande quantidade de urina;
– formigas subindo no vaso sanitário, devido à presença de açúcar na urina;
– sede em excesso;
– fome exagerada;
– perda de peso sem motivo aparente, apesar de estar comendo até mais que o normal;
– “borramento” da visão;
– fraqueza intensa, mal-estar, desânimo;
– “formigamentos” nas mãos e nos pés;
– feridas que demoram a cicatrizar ou não cicatrizam.

Que pessoas apresentam risco alto de apresentar diabetes?

Algumas pessoas possuem características que aumentam muito a sua chance de apresentar diabetes. As principais dessas características são as seguintes:

– excesso de peso ou obesidade;
– história familiar de diabetes (ou seja, parentes de primeiro grau – pais, irmãos ou filhos – que também possuem a doença);
– história de ter tido diabetes durante a gravidez (diabetes gestacional);
– história de macrossomia fetal (ou seja, ter dado à luz filhos pesando mais de 4 Kg), ou abortos de repetição;
– história de glicemias alteradas no passado;
– sedentarismo;
– idade acima dos 45 anos;
– pressão alta;
– triglicérides altos ou HDL-colesterol (“bom colesterol”) baixo;
– doença coronariana (infarto do miocárdio, angina);
– uso de medicações que podem aumentar a glicemia.

O que fazer na presença de sintomas sugestivos ou fatores de risco para diabetes?

Essas pessoas devem ser avaliadas por um médico e testadas para a presença de diabetes, através da dosagem da glicose no sangue (glicemia).
Existem 3 formas de avaliar a glicemia de um paciente:
a) Dosagem de glicemia de jejum – é a forma mais simples, prática e barata de diagnosticar o diabetes. Deve ser colhida amostra de sangue pela manhã, após um jejum de 8 a 12 horas.
b) Dosagem de glicemia casual – é a determinação da glicemia em amostra de sangue colhida em qualquer horário do dia, independente da pessoa estar em jejum ou não. Útil em casos de pessoas com sintomas muito evidentes e sugestivos de diabetes.
c) Teste de Sobrecarga de Glicose – indicado em pacientes com glicemia de jejum pouco alterada, ainda não atingindo o nível para diagnóstico de diabetes, ou em pacientes de risco muito elevado para diabetes com glicemia de jejum normal. Colhe-se uma amostra de sangue (geralmente em jejum), então o paciente ingere 75g de glicose dissolvida em água e colhe uma nova glicemia após 2 horas.

Quais os valores normais de glicose no sangue?

Atualmente, consideram-se normais os valores de glicemia:

a) menores que 100 mg/dL em jejum;
b) menores que 140 mg/dL após teste de sobrecarga com glicose.
Cuidado! Muitos laboratórios clínicos no Brasil ainda colocam o limite de 110mg/dL como “Valor normal”, ou “Valor de Referência” para a glicemia de jejum. De fato, a glicemia de jejum foi considerada normal até 110mg/dL por muitos anos, mas isso mudou em 2004, quando a Associação Americana de Diabetes, baseada nos resultados de vários pesquisas novas, estabeleceu que o valor da glicemia de jejum não deve passar de 100mg/dL para ser considerada normal. Por isso, hoje em dia se considera normal apenas a glicemia de jejum menor que 100mg/dL.

Quais os valores de glicemia necessários para fazer o diagnóstico de diabetes?

O diabetes mellitus é diagnosticado quando se encontra:

a) glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dL, em pelo menos 2 medidas em dias diferentes;
b) glicemia casual maior que 200 mg/dL, na presença de sintomas sugestivos de diabetes;
c) glicemia após teste de sobrecarga com glicose 75g maior que 200 mg/dL.


Valores intermediários entre o normal e o diabetes fazem o diagnóstico de pré-diabetes, que inclui a tolerância diminuída à glicose (glicemia pós-sobrecarga entre 140 e 200 mg/dL) e a glicemia de jejum alterada (glicemias de jejum repetidamente maiores que 100 e menores que 126 mg/dL).
Outros testes, como a glicemia capilar (medida em sangue da ponta do dedo, através de aparelhos chamados glicosímetros) e a detecção de glicose na urina (chamada glicosúria) em geral não servem para diagnóstico de diabetes, e devem ser preferencialmente confirmados pela dosagem de glicemia no sangue (glicemia).

Se algumas pessoas têm diabetes mas não sentem nada, então porque precisam de tratamento?

Todos os tipos de diabetes podem produzir complicações sérias com o passar do tempo, incluindo: cegueira, doenças do coração (infarto), obstrução (entupimento) dos vasos sangüíneos (principalmente nas pernas e pés) e perda de função dos rins. Algumas vezes, o comprometimento da circulação sangüínea chega a ser tão grave que exige a amputação de membros. Além disso, o paciente com diabetes do tipo 1 pode passar por situações graves, em que níveis muito altos ou muito baixos de glicemia podem ameaçar a sua vida.
Por isso, todos os indivíduos portadores de diabetes devem fazer um cuidadoso acompanhamento médico e participar ativamente do seu tratamento, com o objetivo de manter sua glicemia a mais próxima do normal possível, pois assim se evitam muitas das complicações da doença. Existem endocrinologistas especializados no tratamento de diabetes, que podem avaliar e tratar pessoas diabéticas da melhor forma possível. Em muitos casos, o paciente diabético também vai precisar da ajuda de outros profissionais, como, por exemplo: médicos oftalmologistas (que vão avaliar o acometimento dos olhos pelo diabetes), nutricionistas (que vão orientar a maneira correta do diabético alimentar-se), psicólogos e enfermeiras.

Colesterol e Triglicérides

O que é colesterol?
Colesterol é um tipo de gordura que é produzido exclusivamente por animais, inclusive os humanos. O colesterol circula normalmente no sangue, sendo usado pelas células do corpo para construir as membranas celulares, para fabricação de alguns hormônios e vitaminas e também como uma fonte de energia.

O que são os triglicérides?
Triglicérides, ou triglicerídeos, são um tipo de gordura, composto por uma molécula de glicerol e três moléculas de ácidos graxos. Os triglicérides são a principal forma de estocagem de energia dos animais, que os acumulam no tecido adiposo na forma de gordura.

Qual a importância dos níveis de colesterol no sangue?
O aumento dos níveis de colesterol acima de limites desejáveis é conhecido como hiperlipidemia, ou hipercolesterolemia, ou simplesmente dislipidemia. A maioria das pessoas com colesterol alto não tem qualquer sintoma; no entanto, os níveis altos de colesterol sangüíneo aumentam muito o risco do indivíduo apresentar doenças graves, tais como: a angina pectoris (uma dor no peito de origem cardíaca), o infarto do miocárdio, o derrame (acidente vascular cerebral) e problemas de circulação em outros locais do corpo. Todas essas doenças ocorrem porque o colesterol aumentado no sangue acaba se depositando nos vasos sangüíneos (artérias) com o passar do tempo, na forma de gordura, e isso leva finalmente ao entupimento da artéria. Assim, o sangue não consegue mais circular pelo vaso atingido. A obstrução das artérias pela deposição de gordura (colesterol) nas suas paredes é conhecida como aterosclerose. O órgão ou tecido afetado sofre danos graves pela falta de circulação. Se isso ocorrer no coração, o paciente tem angina ou um infarto; se ocorrer no cérebro, a pessoa tem um derrame; e assim por diante.
Por esse motivo, os médicos prescrevem tratamento para pessoas com colesterol alto, pois a redução dos níveis de colesterol pode protegê-las de doenças cardíacas e derrame cerebral. Felizmente, na grande maioria dos casos os níveis de gordura no sangue podem ser controlados com uma combinação de dieta, perda de peso, exercício e medicações adequadas.

Como as gorduras circulam no sangue?
As gorduras circulam no sangue na forma de partículas esféricas, compostas por algumas proteínas na superfície e contendo lipídios (gorduras) no seu interior. Essas partículas são chamadas lipoproteínas.
Existem vários tipos de lipoproteínas. As mais importantes são:
a) LDL (low-density lipoprotein, ou lipoproteína de baixa densidade) – Também é chamada de “mau colesterol”, pois vários estudos grandes mostraram que os níveis aumentados de LDL estão fortemente associados com o risco de doença cardiovascular. Transportam o colesterol do fígado e do intestino para os tecidos periféricos. O colesterol ligado às partículas de HDL pode ser medido por exames de laboratório, e é chamado de LDL-colesterol.
b) HDL (high-density lipoprotein, ou lipoproteína de alta densidade) – É conhecida como “bom colesterol”, pois, ao contrário da LDL, quanto maiores os níveis de HDL no sangue de uma pessoa, menores são suas chances de desenvolver doenças cardiovasculares. Também transportam colesterol, mas no sentido inverso do LDL: retiram a gordura dos tecidos periféricos e dos vasos e a transportam para o fígado, onde vai ser metabolizada. O colesterol ligado às partículas de HDL pode ser dosado em laboratório, e é chamado HDL-colesterol.
c) VLDL (very-low-density lipoprotein, ou lipoproteína de muito baixa densidade) – transporta colesterol e triglicérides. O aumento das VLDL (que pode ser constatado pelo aumento dos triglicérides no sangue) também aumenta o risco de problemas cardíacos.
d) Quilomícrons – transportam basicamente triglicérides.

Que tipos de gordura podem ser dosados no sangue?
A maioria dos laboratórios consegue dosar os seguintes tipos de gordura:
– Colesterol total;
– HDL-colesterol;
– LDL-colesterol;
– Triglicerídeos.

Geralmente os médicos solicitam um exame chamado “perfil lipídico”, ou “lipidograma”, que é a dosagem dos 4 tipos principais de gorduras: colesterol total, HDL-colesterol, LDL-colesterol e triglicerídeos.
Um cuidado importante quando se vai colher uma amostra de sangue para dosagem do perfil lipídico é que o paciente deve fazer pelo menos 12 horas de jejum antes da coleta, para não haver interferência nos resultados do exame.

Quais são os valores normais de colesterol e triglicérides?
Os valores de referência usados pela maioria dos laboratórios clínicos, para a população geral, estão na tabela abaixo:

Valores de Referência dos Lípides Sangüíneos para a População Geral

Esses valores de colesterol são válidos para todos os indivíduos?
Não. Diferente de outros exames, onde há um valor de corte nítido entre o normal e o anormal, os níveis de colesterol considerados adequados para determinada pessoa vão depender das características desse indivíduo.
Visto que quanto maiores os níveis de colesterol, maiores são as chances de doença cardíaca, é prudente atribuir valores “normais” de colesterol cada vez mais baixos quanto maior é o risco de doença cardíaca de um paciente ou grupo de pacientes. Ou seja: pessoas de alto risco de doença cardiovascular precisam ter um nível de colesterol mais baixo do que pessoas de baixo risco.
Isso é especialmente válido para o LDL-colesterol, que está fortemente associado com o risco de doença cardiovascular.
Existem várias formas de definir quais são os valores desejáveis de colesterol de um determinado paciente. O método mais utilizado é o chamado score de Framingham, que avalia o risco de doença cardiovascular de acordo com a presença ou não de certos fatores de risco.

Quais são os outros fatores de risco para doença cardiovascular?
Além dos níveis de colesterol, há vários outros fatores que podem aumentar o risco de uma pessoa desenvolver doença cardiovascular.
Os mais importantes, e que são levados em conta no cálculo do score de Framingham, são os seguintes:

– Diabetes mellitus;
– Tabagismo;
– Hipertensão arterial;
– História familiar de doença cardiovascular prematura (ou seja, em parentes de primeiro grau: homens abaixo dos 55 anos e mulheres abaixo dos 65 anos);
– Idade: maior que 45 anos em homens e maior que 55 anos em mulheres;
– Presença de outras doenças relacionadas à aterosclerose: acidente vascular cerebral ou doença arterial periférica (má circulação nos membros inferiores).

Como calcular o score de Framingham?
O score de Framingham estima o risco de uma pessoa apresentar doença cardiovascular nos próximos 10 anos. Considera-se esse risco:
– Baixo: quando menor que 10%;
– Moderado: entre 10 e 20%;
– Alto: maior que 20%.

Você pode calcular seu score de Framingham de 2 maneiras: ou usando tabelas prontas, que vão pontuar a presença ou não de cada um dos fatores de risco mais importantes, ou através de programas especialmente desenhados para esse fim, onde você entra com suas informações (nível de pressão, idade, níveis de colesterol etc.) e o próprio programa calcula o seu risco.

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Tabelas

Então, quais são os valores desejáveis de colesterol e triglicérides, de acordo com o score de Framingham?
Os valores desejáveis de colesterol e triglicérides também vão depender de outro dado importante: se o paciente já apresentou ou não algum tipo de doença cardiovascular.
Se o paciente nunca teve infarto do miocárdio, angina, derrame ou doença arterial periférica, então o objetivo do tratamento é impedir que ele venha a apresentar algum desses distúrbios. Trata-se de um paciente em prevenção primária.
Agora, se o paciente já apresentou alguma dessas doenças, então o objetivo do tratamento é impedir que ele apresente um novo episódio. Nesse caso, o manejo dos níveis de colesterol deve ser mais rigoroso, pois trata-se de um paciente em prevenção secundária.
A tabela abaixo apresenta as principais recomendações para os níveis desejáveis de LDL-colesterol, dependendo das características do paciente:

Valores Desejáveis de LDL-Colesterol de Acordo com o Risco Cardiovascular

* Doença cardiovascular é definida como a presença (ou história prévia) de: infarto do miocárdio ou angina; ou doença sintomática das artérias carótidas; ou doença arterial periférica; ou aneurisma de aorta abdominal.

Quais são as causas do aumento do colesterol?
O consumo exagerado de alimentos ricos em colesterol (carnes gordas, leite integral, queijos amarelos, bacon, manteiga, banha) pode fazer os níveis de colesterol aumentarem. Além disso, o excesso de peso pode fazer os níveis de colesterol e triglicérides subirem. Mulheres tendem a ter um aumento do colesterol após a menopausa. Finalmente, fatores genéticos podem ser responsáveis pelo aumento do colesterol em algumas pessoas, principalmente se houverem várias pessoas na mesma família com esse problema.

Quais são as causas do aumento dos triglicérides?
A causa mais comum do aumento de triglicérides é a obesidade. Lembre que os triglicérides são a forma na qual a energia em excesso é armazenada no corpo humano. A gordura do corpo é composta na sua grande maioria por triglicérides. Portanto, quanto mais acima do peso um indivíduo, maiores seus níveis de triglicérides. Freqüentemente, pessoas obesas apresentam triglicérides elevados, HDL-colesterol baixo, glicemias alteradas (ou diabetes) e/ou pressão alta; é a chamada síndrome metabólica. (Leia mais sobre síndrome metabólica clicando aqui).
O consumo exagerado de carboidratos ou açúcar pode aumentar os triglicérides também. Além disso, o consumo de grandes quantidades de álcool também pode elevar os triglicérides. Outras causas de aumento dos triglicérides, que devem ser pesquisadas em todos os pacientes, são: o hipotireoidismo, o diabetes mellitus descontrolado, algumas doenças do rim (síndrome nefrótica) e alguns distúrbios genéticos (hipertrigliceridemia familiar).
Em mulheres, uma causa comum do aumento de triglicérides é o uso de estrógenos por via oral, seja como pílulas anticoncepcionais ou como tratamento da menopausa (reposição hormonal); se os triglicérides estiverem muito aumentados nessa situação, pode ser necessário o uso de estrógenos por outra via que não a oral (injetável, adesivos, cremes ou vaginal). Várias medicações também podem aumentar os triglicérides, dentre elas: diuréticos, beta-bloqueadores, corticóides, anti-psicóticos e medicações contra o vírus HIV.

Quem deve fazer exames para avaliar seus níveis de colesterol e triglicérides?
As recomendações atuais são de que todos os adultos, a partir dos 20 anos de idade, façam uma dosagem de colesterol e triglicérides pelo menos uma vez a cada 5 anos.
É preferível a coleta do perfil lipídico completo (colesterol total, HDL-colesterol, LDL-colesterol e triglicérides).
Pessoas com níveis de colesterol dentro da faixa desejável podem colher um novo exame em apenas 5 anos; se houver qualquer alteração, é necessário repetir o exame com mais freqüência e/ou buscar avaliação médica para iniciar o tratamento mais adequado.

Quem deve receber tratamento para os níveis de colesterol?
A decisão de iniciar tratamento para redução dos níveis de colesterol (ou triglicérides) é feita pelo médico, avaliando caso a caso. Para isso, é necessário considerar todas as outras características do paciente, tais como a presença de outros fatores de risco cardiovascular e a presença ou não de doença cardiovascular instalada (se ausente: prevenção primária; se presente: prevenção secundária).
a) Prevenção secundária (pessoas com doença cardiovascular prévia – infarto, angina, derrame, má circulação em membros inferiores) – neste caso, um tratamento mais agressivo, objetivando uma redução importante dos níveis de colesterol, é recomendável. Geralmente é desejável um nível de LDL-colesterol menor que 100 mg/dL. Entre 100 e 130 mg/dL, pode-se tentar apenas a modificação dietética, perda de peso e prática de exercício; mas medicações podem ser necessárias. Medicações são geralmente utilizadas quando o LDL-colesterol está acima de 100 ou 130 mg/dL. Em diabéticos com doença cardiovascular, a maioria dos médicos hoje recomenda manter um nível de LDL-colesterol mais baixo ainda: menor que 70 mg/dL.
b) Prevenção primária (pessoas sem doença cardiovascular conhecida) – Neste grupo de indivíduos, uma dieta específica é recomendada se houver LDL-colesterol muito aumentado ou um aumento de LDL-colesterol moderado na presença de dois ou mais fatores de risco cardiovascular. Medicações podem ser necessárias se, após algumas semanas de dieta, o LDL-colesterol ainda estiver acima de 190 mg/dL em qualquer paciente ou acima de 160 mg/dL em pacientes com 2 ou mais fatores de risco adicionais. Uma exceção são os diabéticos, que devem ter um LDL-colesterol menor que 100 mg/dL.

Quem deve receber tratamento para os níveis de triglicérides?
Triglicérides aumentados também podem aumentar o risco de doença cardiovascular, portanto pode ser necessário tratamento específico para sua redução nas seguintes situações:
– Níveis extremamente altos de triglicérides (maior que 1.000 mg/dL);
– Aumento combinado de LDL-colesterol e triglicérides;
– Presença de doença cardiovascular (prevenção secundária);
– Forte história familiar de doença cardiovascular;
– Presença de outros fatores de risco cardiovascular.

Como é feito o tratamento?
Os níveis de lipídios (colesterol e triglicérides) no sangue podem ser reduzidos com o uso de modificações de estilo de vida, medicações e combinações dos dois. Em certos casos, o médico pode recomendar uma tentativa com mudanças dos hábitos de vida (cuidados com a alimentação, exercícios físicos, perda de peso) antes de resolver prescrever alguma medicação.

Quais são as mudanças de estilo de vida que ajudam a controlar o colesterol?
Todos os pacientes com níveis altos de colesterol total ou LDL-colesterol devem efetuar mudanças dos seus hábitos alimentares, principalmente diminuindo o consumo de gordura total e gorduras saturadas. Gorduras saturadas são aquelas que se tornam endurecidas à temperatura ambiente, e são encontradas principalmente em alimentos de origem animal (exemplo: carne, manteiga, leite, queijo), mas também podem ser encontradas em produtos vegetais como: óleo de coco, manteiga de cacau e margarina. O consumo de gorduras saturadas deve ser reduzido ao mínimo. O paciente deve dar preferência ao consumo de gorduras poli-insaturadas (óleos vegetias, óleo de milho, óleo de soja) ou mono-insaturadas (nozes, abacate, óleo de oliva). Em alimentos industrializados, o rótulo do produto traz informações sobre a sua quantidade de gordura saturada, mono-insaturada e poli-insaturada. Portanto, acostume-se a ler os rótulos!
Algumas dicas para reduzir o consumo de gordura saturada estão na tabela abaixo:

– Prefira alimentos com menos gordura total, gordura saturada e colesterol;
– Dê preferência a carnes magras (frango, peixe ou carne bovina magra);
– Retire a gordura visível da carne, frango e peixe antes de prepará-los; retire também a pele do frango e do peixe antes de consumi-los, pois a pele é rica em gordura;
– Evite fritar os alimentos; prefira grelhar, assar, cozinhar ou refogar;
– Limite a ingesta de gemas de ovos: no máximo 2 por semana;
– Prefira leite e laticínios desnatados;
– Opte por queijos brancos, com menor teor de gordura;
– Evite embutidos;
– Reduza alimentos ricos em gordura: maionese, manteiga, bacon, molhos cremosos (preparados com creme de leite), temperos de salada cremosos ou oleosos etc;
– Use a menor quantidade possível de gordura para preparar os alimentos;
– Coma vegetais frescos e frutas todos os dias;
– Prefira alimentos preparados com grãos integrais: pão, biscoitos, arroz, massas integrais, pois os mesmos são ricos em fibras alimentares que ajudam a controlar os lipídios sangüíneos.

perda de peso, em pacientes que estão com sobrepeso ou obesidade, também ser útil, principalmente na redução dos triglicérides. Exercícios aeróbicos muitas vezes são auxiliares importantes do tratamento.
Uma opção também é o uso de alguns produtos comerciais contendo um tipo de gorduras vegetais conhecido como fitostanóis, que estão presentes em margarinas e óleos vegetais especiais criados para atender às pessoas que precisam controlar seus níveis de lipídios no sangue. Tais produtos podem ser identificados na prateleira do supermercado pelas informações nos rótulos.

Que mudanças de estilo de vida podem ajudar a controlar os triglicérides?
Os passos mais importantes são: melhorar a alimentação, perder peso (em pessoas com obesidade ou sobrepeso), aumentar o nível de atividade física e diminuir ou interromper o consumo de álcool. Parar de fumar também é muito importante.
Quanto à alimentação, é recomendável reduzir o consumo de calorias totais, através da restrição de gorduras e carboidratos (pães, massas, arroz, açúcar).

Se o rótulo de um produto traz a informação de que o mesmo é “sem colesterol”, ou com “baixo teor de colesterol”, isso significa que o produto tem pouca gordura e seguro para consumo?
Nem sempre. Vários alimentos vêm com a inscrição “sem colesterol” no rótulo e mesmo assim são ricos em gorduras saturadas.
Para entender isso, lembre-se que o colesterol é uma gordura produzida apenas por animais. Portanto, alimentos de origem vegetal (óleos vegetais, margarina etc.) não têm colesterol porque os vegetais não possuem colesterol. Mesmo assim, alguns vegetais são ricos em outros tipos de gordura que podem ser perigosas se consumidas em excesso. Alguns produtos, apesar de não possuírem colesterol, podem ser fabricados com grandes quantidades de gordura saturada, e portanto devem ser evitados.
A maneira mais segura de saber se um determinado produto é seguro ou não é lendo as informações nutricionais no rótulo. Ali devem estar discriminadas as quantidades de calorias, gorduras totais, gorduras saturadas e insaturadas.

Quando usar medicações para controlar o colesterol?
As medicações estão indicadas quando o paciente tiver níveis muito elevados de colesterol ou LDL-colesterol, ou quando tiver um aumento moderado mas os níveis não atingirem a meta desejada depois de algum tempo de cuidados com a dieta e exercícios físicos.
Infelizmente, apenas a modificação da dieta não é capaz de controlar os níveis de colesterol na maioria dos pacientes. Quando a pessoa costuma ingerir quantidades grandes de gordura total ou saturada, a modificação da dieta consegue reduzir os níveis de LDL-colesterol em até 10 ou 20%. No entanto, na maioria dos casos a redução de LDL-colesterol obtida com a dieta isolada é da ordem de 5 a 8%.
O médico geralmente vai recomendar o uso de medicações para controle do colesterol se, depois de um certo tempo (3, 6 ou 12 meses, dependendo do caso) com modificação dietética, perda de peso e exercícios, os níveis de colesterol do paciente não chegarem no recomendado para esse paciente (de acordo com seu grau de risco cardiovascular, avaliado pelo score de Framingham).

Que medicações podem ser utilizadas para controle do colesterol?
Vários tipos de medicações estão disponíveis, hoje em dia, para ajudar a reduzir os níveis de colesterol e triglicérides. Cada classe de medicações tem uma ação maior sobre um ou outro tipo de gordura sangüínea, além de ter diferentes mecanismos de ação, preços, eficácia e efeitos colaterais. O médico é quem vai definir qual o tipo de medicação mais adequada para cada caso. Algumas vezes, pode ser necessário o uso de mais de uma medicação.
As principais classes de medicamentos são as seguintes:
a) Estatinas – Incluem a sinvastatina, atorvastatina, rosuvastatina, pravastatina, lovastatina e fluvastatina. Diminuem a produção de colesterol pelo fígado. São as drogas mais eficazes para redução do colesterol total e LDL-colesterol, que podem ser reduzidos em 20 a 60% (dependendo da medicação e da dose), além de reduzirem modestamente os triglicérides. Costumam ter menos efeitos colaterais que outros tipos de medicação. São as medicações mais utilizadas para controle do colesterol. Um dos efeitos adversos mais comuns são os problemas musculares: dores musculares (nas coxas, pernas, braços) devem ser relatadas imediatamente ao médico se surgirem após o início da medicação.
b) Fibratos – Incluem o bezafibrato, ciprofibrato, etofibrato, fenofibrato e gemfibrozil. São mais eficazes na redução de triglicérides e aumento do HDL-colesterol, portanto são mais utilizados para tratamento de triglicérides elevados. Podem ser usados algumas vezes junto com alguma estatina (em pacientes com aumento tanto do LDL-colesterol quanto dos triglicérides), mas nesse caso aumentam o risco de lesão muscular pela estatina. Devem ser usados com cautela em pacientes com doenças renais.
c) Resinas seqüestrantes de ácidos biliares – Incluem a colestiramina e o colestipol. Diminuem a absorção de gordura pelo intestino. Podem ser usados em casos de aumento leve a moderado do colesterol, mas produzem vários efeitos colaterais como: diarréia, náusea, cólicas, flatulência e problemas do fígado.
d) Ácido nicotínico (niacina) – é uma vitamina que reduz o nível de LDL-colesterol e VLDL-colesterol, além de aumentar o HDL-colesterol (“bom” colesterol) de uma forma mais importante que outras medicações. Pode ser usado para alguns casos de LDL-colesterol alto com HDL-colesterol muito baixo. Entretanto, também têm efeitos adversos incômodos e freqüentes, principalmente quando usados em doses altas: sensação de calor na parte superior do corpo, coceira, náuseas, formigamento e adormecimento das extremidades, problemas do fígado. Os efeitos colaterais podem ser reduzidos se a medicação for tomada com comida, ou com aspirina (tomada 30 minutos antes), ou com o uso de formulações de niacina de liberação prolongada, que possuem menos efeitos colaterais que as formulações de ação rápida.
e) Ezetimibe – é uma medicação nova que ajuda a reduzir o LDL-colesterol e o colesterol total. É uma droga fraca quando utilizada isoladamente, mas produz uma boa redução do colesterol quando utilizada juntamente com as estatinas. Por isso, é usada quase sempre em associação com a sinvastatina ou atorvastatina, em pessoas com níveis muito altos de colesterol e LDL-colesterol.

Qual a utilidade do óleo de peixe? E da soja? E do alho?
Várias outras formas de tratamento têm sido propostas para controle do colesterol, mas poucas delas realmente funcionam, e geralmente seus efeitos são muito pequenos em comparação com as medicações disponíveis. Converse com seu médico antes de iniciar o uso de qualquer desses suplementos. Um resumo dos outros tratamentos está abaixo:
a) Óleo de peixe – alguns suplementos à base de óleo de peixe são ricos em ácidos graxos ômega-3 e ômega-6, que ajudam a reduzir os triglicérides mas podem aumentar um pouco o LDL-colesterol. Precisam ser usados em altas doses e produzem alguns efeitos colaterais incômodos (náusea, cheiro de peixe ou gosto de peixe na boca, gases, diarréia).
b) Proteína de soja – As isoflavonas são substâncias presentes na soja que têm um efeito semelhante ao hormônio natural feminino (estrógeno), e por isso têm sido usadas para aliviar sintomas da menopausa em algumas mulheres. Podem ajudar a reduzir um pouco o colesterol total, LDL e triglicérides, mas seu efeito costuma ser fraco.
c) Alho – O consumo regular de alho pode ajudar a reduzir discretamente o colesterol total e o LDL.
d) Berinjela – Há alguns estudos mostrando que o consumo regular de berinjela pode ajudar a reduzir um pouco o nível de colesterol.

Por quanto tempo usar a medicação?
Uma vez iniciada a medicação para controle dos níveis de colesterol ou triglicérides, seu uso deve ser mantido por toda a vida, na maioria dos casos. Assim como outros problemas de saúde (pressão alta, diabetes etc.), o aumento de colesterol não tem cura, e as medicações controlam as gorduras do sangue apenas enquanto estão sendo tomadas. Uma vez que se interrompa o uso dos medicamentos, o colesterol (ou os triglicérides) voltam a subir e o paciente volta a ter um risco aumentado de problemas cardiovasculares.
Por isso, o médico deve avaliar bem os riscos e os benefícios do uso de medicações em cada caso.

Pré-Diabetes


O que é o “pré-diabetes”?

Antes de desenvolver o diabetes mellitus tipo 2, a maioria das pessoas apresenta uma condição assintomática chamada “pré-diabetes”. Também conhecida como “intolerância à glicose”, “tolerância diminuída à glicose” ou “glicemia de jejum alterada”, pré-diabetes é um termo que atualmente se aplica a cerca de 41 milhões de pessoas nos Estados Unidos que têm níveis de glicose (açúcar) no sangue maiores que o normal, mas ainda não altos o bastante para fazer o diagnóstico de diabetes.

(Leia mais sobre o diagnóstico do diabetes clicando aqui.)

Qual a importância do pré-diabetes?
Mais e mais, os médicos estão reconhecendo a importância de diagnosticar o pré-diabetes, já que o tratamento dessa condição pode prevenir o aparecimento do diabetes do tipo 2. Além disso, o tratamento adequado do pré-diabetes pode prevenir várias complicações sérias associadas ao diabetes mellitus tipo 2, tais como: doenças cardíacas e lesões aos rins ou aos olhos. Já há vários estudos que demonstram que essas complicações, tradicionalmente atribuídas apenas ao diabetes já instalado, começam a se desenvolver muito antes que o diagnóstico de diabetes seja feito – ou seja, na fase do pré-diabetes.
Ou seja: reconhecer e tratar adequadamente o pré-diabetes pode:
a) prevenir o surgimento do diabetes tipo 2, e
b) prevenir as complicações do diabetes tipo 2 – mesmo que o paciente ainda não tenha diabetes!

Quais são as pessoas que correm risco de desenvolver diabetes tipo 2?
O risco de diabetes tipo 2 está aumentado em pessoas com as seguintes características:

– Presença de outras pessoas na família com diabetes tipo 2 (pais, tios, irmãos);
– Mulheres que tenham tido diabetes gestacional ou que tenham dado à luz um bebê pesando mais de 4 Kg;
– Mulheres com a síndrome dos ovários micropolicísticos;
– Pessoas acima do peso (sobrepeso ou obesidade). principalmente quando o excesso de gordura está mais acumulado na barriga;
– Pessoas com colesterol alto, aumento do triglicérides ou níveis baixos do chamado “bom colesterol” (HDL-colesterol);
– Sedentários;
– Idosos – com o avanço da idade, as pessoas se tornam menos capazes de controlar adequadamente os níveis de glicose.

Como identificar o pré-diabetes?
Embora a maioria das pessoas com pré-diabetes não tenha qualquer sintoma (ou seja, trata-se de uma condição assintomática), alguns indivíduos já podem apresentar sintomas sugestivos de diabetes, tais como: sede excessiva, necessidade de urinar muitas vezes e em grande quantidade, visão borrada ou cansaço acentuado.
Geralmente, o diagnóstico de pré-diabetes é feito através de alguns exames de laboratório.

Quem deve fazer exames para avaliar a presença de pré-diabetes?
As seguintes pessoas precisam fazer exames periodicamente para determinar se são portadoras ou não de pré-diabetes:

– Adultos com mais de 45 anos;
– Adultos com qualquer fator de risco para diabetes (veja quadro acima);
– Excesso de peso (índice de massa corporal acima de 25); *
– Pessoas que já tenham tido exames anteriores com níveis elevados de glicose;
– Mulheres que tenham tido diabetes durante a gravidez (diabetes gestacional) anteriormente ou que tenham dado à luz bebês com mais de 4 Kg;
– Presença de componentes da síndrome metabólica: aumento dos triglicérides, baixos níveis de colesterol “bom” (HDL), acúmulo de gordura no abdome, pressão alta (hipertensão arterial);
– Mulheres com síndrome dos ovários micropolicísticos.

Índice de massa corporal = peso (em Kg) dividido pelo quadrado da altura (em m).

Como é feito o diagnóstico de pré-diabetes?
Dois diferentes testes podem diagnosticar o pré-diabetes. São eles:
a) Glicemia de jejum – consiste na coleta de uma amostra de sangue, em jejum, após um jejum de 8 horas, para avaliar o nível de glicose no sangue. O normal é menor que 100 mg/dL.
b) Teste de Tolerância à Glicose – consiste na coleta de sangue em jejum e na coleta de uma outra amostra de sangue 2 horas após a ingestão de um copo grande de água contendo 75 g de glicose diluída. Deve ser feito quando o paciente apresenta uma glicemia de jejum maior que o normal mas ainda menor que o nível necessário para o diagnóstico de diabetes – ou seja, quando a glicemia de jejum é maior ou igual a 100 mg/dL e menor que 126 mg/dL.

Como interpretar o resultado da glicemia de jejum?

Resultado Diagnóstico
Menor que 100 mg/dL Normal
Entre 100 e 125 mg/dL Glicemia de jejum alterada
Maior (ou igual) a 126 mg/dL (em 2 medidas) Diabetes

Como interpretar o resultado do teste de tolerância à glicose?

Resultado (2 horas após 75g de glicose) Diagnóstico
Menor que 140 mg/dL Normal
Entre 140 e 199 mg/dL Intolerância à glicose
Maior (ou igual) a 200 mg/dL Diabetes

Resumindo: 
– Pacientes com glicemia de jejum normal (menor que 100) e teste de tolerância à glicose normal (menor que 140) são considerados normais;
– Pacientes com glicemia de jejum normal ou alterada (mas menor que 126) e teste de tolerância à glicose entre 140 e 200 são considerados portadores de intolerância à glicose;
– Pacientes com glicemia de jejum alterada (mas menor que 126) e teste de tolerância à glicose normal (menor que 140) são considerados portadores de glicemia de jejum alterada;
– Pacientes com glicemia de jejum maior que 126 (em pelo menos 2 medidas, em dias diferentes) OU com teste de tolerância à glicose acima de 200 são considerados portadores de diabetes.
– Pacientes com intolerância à glicose ou glicemia de jejum alterada são considerados portadores de pré-diabetes.

Pré-Diabetes

Glicemia de jejum
OU
Teste de Tolerância à Glicose (2h)
Entre 100 e 125

Entre 140 e 199

Qual é o tratamento para o pré-diabetes?
O principal componente do tratamento do pré-diabetes consiste nas mudanças de estilo de vida – ou seja, na adoção de um hábito de vida saudável, que inclui as seguintes medidas:
a) alimentação saudável e equilibrada – leia mais em: “10 passos para uma alimentação saudável”;
b) perda de peso – se você está acima do peso, uma perda de 5 a 10% do seu peso inicial pode fazer uma enorme diferença;
c) atividade física regular – tente exercitar-se 30 minutos por dia, durante 5 dias da semana. Essa atividade pode ser dividida em vários períodos curtos: 3 sessões de 10 minutos num dia ou 2 sessões de 15 minutos noutro dia. Escolha uma atividade que você goste de fazer, como, por exemplo, caminhar, ou nadar, ou dançar, ou jogar tênis ou futebol.
d) pare de fumar;
e) trate adequadamente da sua pressão arterial ou do seu colesterol, se necessário.