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Fórmulas para emagrecer


Algumas prescrições podem deixar estarrecido qualquer profissional da área de saúde que realmente se preocupa com a saúde da população.
Infelizmente, a prescrição de fórmulas para emagrecimento com componentes condenáveis e que representam ris­co para a saúde da população é uma rotina. Outra triste constatação é o fato de que muitas vezes es­tas fórmulas são prescritas para pacientes que apresentam um índice de massa corpóreo (IMC) muito pouco acima dos valores considerados normais e não para pacientes com nível de IMC que realmente caracteriza um quadro de obesidade. As razões que levam profissionais da área de saúde a prescrever e manipular tais fórmulas são complexas, mas provavelmente envolvem desconhecimentos das causas e da terapêutica da obesidade e das reações adversas que os componentes destas fórmulas podem causar e, pior do que tudo isto, interesses meramente financeiros.
É importante enfatizar que obesidade é uma condição complexa, resultante de inúmeros fatores, inclusive genéticos, cujo tratamento requer uma abordagem ampla, mas que envolve principalmente reeducação alimentar e aumento da atividade física. Medicamentos só são justificados no tratamento da obesidade em situações complexas, quando o paciente apresenta um IMC extremamente elevado, compulsão alimentar em muitos casos e ausência de resposta aos procedimentos que envolvem reeducação alimentar e atividade física. O profissional da área de saúde também deve ter conhecimento de que estudos clínicos bem conduzidos mostram de forma clara que os anorexígenos induzem uma redução média do IMC após meses de uso em torno de 5 a 10% e que esta redução não difere muito daquela induzida apenas pela redução da ingestão calórica e aumento da atividade física. Além do mais, a redução do IMC induzida por anorexígenos e também pelo orlistat atinge valor máximo entre seis meses e um ano e, após este período, mesmo com a utilização dos medicamentos, a tendência é uma recuperação gradual do IMC.
Os anorexígenos, entre os quais se incluem femproporex, dietilpropiona e mazindol, são drogas que têm sido utilizadas no tratamento da obesidade, com resultados pouco expressivos e indução de elevada incidência de reações adversas, entre as quais se incluem elevação da pressão arterial, arritmias cardíacas, insônia, ansiedade, distúrbios urinários, cefaléia e dependência. Infelizmente, quando se trata das fórmulas para emagrecimento, a preocupação com as conseqüências para a saúde do paciente é ainda maior. Além dos anorexígenos previamente mencionados que já representam motivos de preocupação e cuja utilização, mesmo isolada, já é extremamente questionada, há vários componentes que podem resultar em complicações adicionais.
A presença de diuréticos tradicionais (furosemida, hidroclorotiazida), plantas com atividade diurética (cavalinha, centella), potássio, laxantes (fenolftaleína) e plantas com atividade laxante (cáscara sagrada) pode induzir distúrbios hidroeletroliticos e resultar em arritmias cardíacas graves, no caso de pacientes que já apresentam predisposição, e alterações da pressão arterial. O uso constante de laxantes pode causar redução da absorção de nutrientes importantes e até mesmo lesões do trato gastrintestinal, como no caso do uso da cáscara sagrada. Além do mais, qualquer profissional da área de saúde com bons conhecimentos de fisiologia e farmacologia não consegue compreender como o uso de diuréticos ou plantas com atividade diurética pode contribuir para redução do IMC. Se o paciente apresenta uma diurese mais intensa em função do uso destas drogas, ele, certamente, irá ingerir maior volume de líquidos. Caso não faça isto, o paciente poderá desenvolver um distúrbio hidroeletrolítico com conseqüências mais ou menos graves.
Outros componentes freqüentemente encontrados nas fórmulas para emagrecimento são hormônios tireoidianos e análogos destes. O uso indevido destes representa grave risco à saúde do paciente, uma vez que pode resultar em elevação da pressão arterial (exacerbando ainda mais o efeito dos anorexígenos), taquicardia e dor anginosa, insônia, tremores e aumento do apetite. Além do mais, o uso continuado destes hormônios pode inibir a produção endógena e resultar em disfunção tireoidiana de lenta recuperação.
Freqüentemente, também são encontradas nas fórmulas para emagrecimento glucomanan e fucus. Tem sido dito que tais produtos aumentariam a sensação de plenitude gástrica após serem ingeridos, pois são polissacarídeos que adsorve­riam água e induziriam expansão de volume. É difícil imaginar como uma quantidade tão reduzida, na ordem de miligramas, iria proporcionar tal efeito. Se pelo menos o paciente estivesse fazendo uso de 50 ou 100 gramas de tais produtos, tal alegação talvez seria válida. Mais estarrecedora é a presença de elastina e colágeno em algumas fórmulas e a justificativa de que tais produtos impediriam a flacidez que poderia resultar da redução do IMC. É inconcebível que um profissional da área de saúde não tenha um conheci­mento mínimo de fisiologia e bioquímica para saber que proteínas não são absorvidas como tais a partir do trato gastrintestinal. Se isto ocorresse, pacientes diabéticos estariam muito felizes, pois poderiam utilizar insulina por via oral.
A inclusão de outros componentes nas fórmulas, principalmente plantas como carqueja, alcaçuz, alcachofra, garcinia etc, não é compreendida, pois não há estudos que permitam definir uma possível utilidade destas plantas no tratamento da obesidade. Na verdade, pouco se conhece sobre a atividade farmacológica destas plantas e das reações adversas que seu uso pode causar. Em relação à carqueja, há uma preocupação associada com seu uso, pois há estudos mostrando que esta planta pode induzir tumores em animais experimentais.
Assim, uma análise farmacológica rápida deixa claro que não há a menor base racional para a prescrição de fórmulas para emagrecimento contendo os componentes previamente menciona­dos. Estas fórmulas para emagrecimento representam nada mais do que um triste exemplo de como boa parte dos profissionais da área de saúde está mal preparada em relação às abordagens necessárias para um tratamento adequado de uma condição tão séria como a obesidade.
Em relação ao aspecto legal, é importante lembrar aos profissionais da área de saúde que o artigo 47 da Portaria 344 do Ministério da Saúde (12 de maio de 1998) deixa claro que "ficam proibidas a prescrição e aviamento de fórmulas contendo associação medicamentosa das substâncias anorexígenas... com ansiolíricos, diuréticos, hormônios ou extratos hormonais e laxantes, bem como quaisquer outras substâncias com ação medicamentosa". Causa surpresa e indignação a afirmação de certos profissionais da área de saúde de que não estão transgredindo a lei quando prescrevem uma fórmula contendo o anorexígeno e outras fórmulas contendo os demais componentes para o mesmo paciente, sendo que cápsulas das duas ou três fórmulas serão utilizadas concomitantemente. Tal conduta pode até não ser ilegal, quando analisada friamente frente ao artigo 47 da portaria 344, mas com certeza é imoral.
Concluindo, o médico que prescreve tais fórmulas para emagrecimento não está sendo fiel aos deveres da ciência no exercício de sua profissão, tão bem explicitados no seu juramento de formatura, pois sabe ou deveria saber que tais produtos não levam ao objetivo almejado, constituem gastos desnecessários aos pacientes e, pior do que tudo isto, representam sério risco à saúde de quem as utiliza.


M. Coelho – Professor de farmacologia da Faculdade de Farmácia da UFMG (topo)
Downloaded from: http://netpage.estaminas.com.br/nucc/cotidiano.htm#4
30/03/05

 

 
 
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